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EXCLUSIVO - O brasileiro que atualmente joga pelo Al-Ahli, nos Emirados Árabes, contou seus planos, histórias, e revelou por que não se transferiu para o Botafogo

Por Danielly Friedrich

Grafite teve um início atípico no futebol. Se os jogadores costumam nutrir este sonho desde a infância, o atacante tentou negá-lo até os 20 anos, quando, por influência de sua família e amigos, acabou entrando no mundo da bola através de um pequeno clube do interior do estado de São Paulo, o Matonense, que hoje disputa a segunda divisão do Campeonato Paulista.

De lá pra cá foram experiências na Coréia do Sul, Libertadores e Mundial pelo São Paulo, uma campanha inesquecível para a história do Wolfsburg, da Alemanha, passagem pela seleção brasileira, destaque no Campeonato Emiratense com o Al-Ahli e, agora, planos de jogar pela MLS, nos Estados Unidos.

Em entrevista exclusiva para o Goal.com Brasil, Grafite conta sua trajetória e revela seus planos para o futuro. Confira!

Você começou sua carreira profissional no Matonense com 20 anos, o que muitos consideram "tarde" no mundo do futebol. Gostaria de ter iniciado sua carreira antes? Por que sua estreia profissional ocorreu apenas nessa idade?
Grafite: Eu não queria jogar futebol profissional. O pessoal lá de casa e meus amigos que ficaram fazendo pressão e eu acabei cedendo. Por isso eu não comecei a carreira antes.

Em 2003 você teve uma pequena passagem pelo Anyang Cheetahs, da Coréia do Sul. Como foi a experiência? Por que voltou tão rápido para o Brasil?
Grafite: Eu gostei da Coréia, até por que minha filha nasceu lá. Mas tive uma oportunidade boa para voltar para o Brasil e resolvi aceitar.

Nacionalmente, seu grande destaque foi no São Paulo, onde você integrou a equipe campeã do Brasileirão, da Libertadores e do Mundial de Clubes. Como foi a experiência?
Grafite: Nós tínhamos uma grande equipe e conseguimos ter grandes conquistas. Foi muito gratificante participar de um grande time e, é claro, ser campeão da Libertadores e do Mundo foi sensacional.

Você teve uma excelente temporada em 2009 com o Wolfsburg. Como foi seu processo de formação para se tornar um ídolo dentro do clube alemão?
Grafite: O Wolfsburg conseguiu formar uma grande equipe. O técnico Felix Magath conseguiu tirar o máximo de nós, e com Misimovic, Dzeko e eu lá na frente conseguimos bater recordes de gols e conquistar em 2009 o tão sonhando Campeonato Alemão. No começo do segundo turno, em 2009, estávamos no meio da tabela. Mas conseguimos uma série de vitórias incríveis e começamos a acreditar que poderíamos conquistar o título. E não deu outra.

O que motivou sua transferência para o Al-Ahli?
Grafite: O projeto que eles me apresentaram para ajudar a crescer o futebol no país. Vários outros grandes jogadores e técnicos também estão aqui tentando fazer com que a Liga cresça e com que a popularidade aumente.

Você contabiliza algumas partidas pela seleção brasileira. Espera ser convocado novamente, apesar do Campeonato Emiratense não ter muita repercussão no Brasil?
Grafite: Minha história na seleção brasileira foi curta. Sei que também pela idade que eu tenho fica difícil ser chamado para a seleção. Mas em 55 jogos, eu fiz 53 gols e estou muito bem aqui.

Atualmente, você é o único brasileiro no Al-Ahli. Como são as barreiras linguísticas e culturais?
Grafite: Quando eu cheguei aqui o Jajá também chegou no mesmo tempo. Também tem o Luiz Gimenez, que é chileno, e é um grande amigo. Todos aqui falam inglês e a cidade tem de tudo, é muito bom viver aqui e a minha família está bem adaptada.

Em outubro de 2012 você declarou que gostaria de ter a experiência de jogar na MLS. Já surgiram convites?
Grafite: Seria legal disputar o campeonato nos EUA. É uma liga que também está crescendo e acho que poderia ajudar nesse crescimento. O meu agente que é o responsável por cuidar do meu futuro, até por que o meu contrato no Al-Ahli acaba em junho.

Além da MLS, tem algum outro campeonato que você gostaria de atuar?
Grafite: É difícil falar isso. No caso da MLS, seria legal porque minha família também quer morar nos EUA. Mas, tendo uma oportunidade de fazer parte de um projeto interessante, vamos considerar.

Durante a última janela de transferências, o Botafogo confirmou interesse em você. Chegaram a conversar formalmente sobre isso?
Grafite: O Botafogo teve interesse, mas infelizmente nao conseguimos chegar a um acordo, pois o clube não ia me liberar na última janela.

Você já sofreu racismo dentro de campo. O que acha dos recentes casos que ganharam destaque no futebol?
Grafite: É incrível que o racismo ainda não tenha sido erradicado do futebol. Sempre tem casos e espero que as autoridades maiores do futebol possam continuar a trabalhar para tirar esse mal do futebol.

Qual é a sua melhor lembrança em toda a sua carreira?
Grafite: Claro que tive uma carreira cheia de vitórias, mas o título da Libertadores e Mundial pelo São Paulo, e a conquista do Campeonato Alemão com o Wolfsburg foram bem marcantes.

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