thumbnail Olá,

A dedicação dos Rojos em Kiev foi o aspecto crucial que determinou o placar final, e o bom futebol

POR MATHEUS HARB

Já diria Thomas Edison que talento é 1% de inspiração, e os outros 99%, transpiração. Em algum momento no meio do caminho, a Espanha parecia ter desconsiderado esse lema, o mesmo que foi responsável por sua ascensão meteórica dos últimos anos. Em Kiev, todos esperavam um reflexo dessa nova Fúria, adepta da burocracia e pouco inspirada a deixar sua zona de conforto com a bola nos pés. Para o bem do futebol, fomos positivamente surpreendidos por uma equipe que se redescobriu no momento mais importante.

Bastaram algumas poucas movimentações para compreender que os comandados de Vicente del Bosque jogariam para longe o marasmo do toque de bola sem objetividade, e com ele todos aqueles que duvidaram de sua capacidade de levar a Euro mais uma vez. Em um primeiro tempo frenético, os espanhóis até permitiram algumas estocadas da Azzurra, é verdade.

Sacrifício completamente justificado pela agressividade ofensiva, e pelos gols de Silva e Alba que mostraram, enfim, um time ainda disposto a vencer, convencer e se firmar ainda mais entre as grandes gerações da história. Com o jogo definido na segunda etapa, pôde controla-lo à sua maneira, até transformar a festa em goleada a partir da entrada de Torres, o mesmo que diziam incompatível com os grandes palcos do futebol mundial.

Por outro lado, a Itália, vamos reconhecer, fez tudo o que estava ao seu alcance. Transpirou em todos os minutos desde a estreia contra os mesmos Rojos, se superou e, contra todas as adversidades, chegou à decisão. Além da falta de sorte, que a deixou com um jogador a menos desde o princípio da segunda etapa, o time de Cesare Prandelli simplesmente encontrou um adversário muito mais qualificado pela frente e, ressalto novamente, muito motivado. Nem o folclorismo de Mario Balotelli, nem a categoria de Pirlo tiveram chance hoje.

A grande questão que fica para a Copa do Mundo é se a Espanha conseguirá se manter motivada, ou se voltará a apresentar esse humor oscilante. A exemplo de seu correspondente clubístico, como citou meu colega Yuri Gonçalves, a vontade de vencer é a única barreira que pode ficar em seu caminho. Razões para que a dinastia Xavi-Iniesta-Casillas siga fazendo história não faltam, ou será que não?

Relacionados