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Conheça a trajetória e as características do volante que vai começar jogando pela primeira vez no duelo contra a Itália, amanhã, às 16h30min

Por Riccardo Facchini

Se existe algo de que um treinador gaúcho não abre mão, é de um bom e velho volante. Luiz Felipe Scolari, o Felipão, um dos mais identificados com a 'escola' gaúcha de futebol, é que não ia ser o diferente.

É dentro desse contexto que entra Fernando, do Grêmio, volante de 21 anos. Sobre ele, na entrevista coletiva no dia em que anunciou os jogadores para o jogo de amanhã, contra a Itália, Felipão afirmou: "O Fernando já fez parte de muitas seleções na base nos anos anteriores. Pelas características, pode ser aquele jogador que acho o mais indicado para posição". 

"Não gosto de deixar exposta a minha defesa. Tomara que a gente tenha acertado. Sabe passar e chegar à frente. Essa história de que os volantes tenham que chegar à frente toda hora... Eu quero é não tomar gol. Que ele se comporte como no Grêmio", continuou o treinador.

Fernando comemora com companheiros do Grêmio

Fernando é prata da casa do Grêmio, estando no clube desde jovem. Apesar disso, sua cidade natal é Erechim (RS), onde seu pai João Martins trabalhava até este ano no estádio Colosso da Lagoa, do Ypiranga, clube da cidade. Ele era o funcionário mais antigo do clube e aposentou-se. 

Volante de forte pegada, mas que sabe jogar e com os bônus de ser bom cobrador de faltas e ter um chute potente de fora da área, Fernando abocanhou seu espaço no Grêmio aos poucos. Ele subiu em 2009 para o grupo principal, mas demorou até se firmar.

Até 2011, o jogador figurava mais no banco de reservas do que na equipe titular; no entanto, era chamado constantemente para as seleções de base e se destacou no Mundial Sub-20 de 2011, quando a equipe brasileira era comandada por Ney Franco, hoje técnico do São Paulo, que tinha em Fernando um titular absoluto e principal pilar do meio-campo.

O Brasil acabou campeão com vitória por 3x2, com três gols do hoje companheiro de seleção Oscar. No retorno, em agosto, o então presidente do Grêmio, Paulo Odone, bancou sua promoção ao time titular, e de lá ele não saiu mais. Na primeira partida do jogador depois do retorno do Mundial, o jogador participou dos 90 minutos e o tricolor venceu o Gre-nal do dia 28 de agosto por 2x1, deixando para trás duas derrotas seguidas, contra Atlético-GO e Ceará.

Daí para frente, Fernando passou a ser um dos principais jogadores do time. Em 2012, foi titular absoluto, tanto com Caio Júnior quanto com Vanderlei Luxemburgo, na campanha que classificou a equipe à Libertadores 2013 e ainda levou o Grêmio às semifinais da Copa do Brasil e quartas de final da Copa Sul-Americana.

Sua melhor fase foi no primeiro semestre de 2012. Suas atuações foram motivo de comentários, tanto de parte da imprensa quanto da torcida, de que Mano Menezes deveria convocá-lo para a Seleção; no entanto, o treinador acabou chamando o jogador apenas no segundo semestre, já longe de sua melhor forma, para os jogos contra a Argentina pelo Superclássico das Américas e para os amistosos contra Iraque e Japão. O próprio jogador afirmou que se surpreendeu com a convocação naquele momento.

Volante acumula experiência nas seleções de base do Brasil

No começo deste ano, Fernando cresceu novamente de produção e acabou envolvido em uma polêmica: inexplicavelmente, foi sacado do time por Luxemburgo no jogo contra o Huachipato, que acabou com derrota tricolor por 2x1. O titular na partida foi Adriano, que havia recém chegado do Santos e praticamente nem treinado com a equipe, enquanto que Fernando já tinha entrosamento com Souza, Elano e Zé Roberto, já que o meio-campo é o único setor da equipe que continua o mesmo do ano passado.

A decisão do treinador causou revolta generalizada na torcida gremista. Luxemburgo explicou a decisão com o fato de Fernando estar passando por problemas pessoais, já que seu filho nasceu prematuro no dia 5 de fevereiro e até agora está no hospital para ganhar peso –o bebê deve sair em uma semana; no entanto, o jogador não havia dado nenhum indicativo de queda de rendimento.

Depois da polêmica, Luxemburgo não assumiu o erro publicamente, mas não repetiu-o, o que dá a entender que o treinador se arrependeu da escolha.

Agora, com o jogador sendo titular da seleção brasileira, vai ficar ainda mais difícil.

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