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Como "prêmio" pelo fraco passado recente, Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari ganham a chance de levar o Brasil a um inédito título mundial em casa, em 2014

Por Luiz Alberto Moura - Editor Chefe Goal.com Brasil

Botafoguenses que me perdoem, mas tem coisas que só acontecem com o Brasil. Enquanto na política nacional assistimos a um julgamento que pretende mostrar aos brasileiros que nem sempre a impunidade ganha, eis que para o cargo mais importante do país (ninguém aqui duvida da importância de Dilma Rouseff, mas...) são escolhidos dois profissionais que, há muito tempo, merecem não mais que uma aposentadoria tranquila.

Que a CBF errou duas vezes não há dúvidas: errou ao trazer Mano Menezes e ao demiti-lo, quando parecia que o gaúcho finalmente havia encontrado um padrão para o time. Na verdade, acaba de errar a terceira. Porque não há motivos, senão a vaidade, para a escolha de Luiz Felipe Scolari.

Vamos aos fatos. Depois de 1994, Carlos Alberto Parreira fez ótimos trabalhos: campeão várias vezes com o Corinthians, recuperou parte da autoestima tricolor e começou a reerguer o Fluminense ao aceitar encarar a Série C, entre outros. O prêmio? Técnico novamente da Seleção Brasileira em 2006. O resultado? Além do péssimo futebol apresentado, da bagunça que foi ninguém precisa ser lembrado. Ali, podia ser o fim.


Já Felipão, o antecessor, depois do título de 2006, fez boas campanhas com Portugal, levando o time luso a um nível que não se via desde a era de Eusébio. Depois? Um exílio no Uzbequistão, um boicote no Chelsea e um trabalho que envergonharia qualquer treinador no Palmeiras este ano. "Ele foi demitido", dirão alguns. Mas será que em sã consciência, algum presidente mandaria embora um treinador do peso do Felipão que batesse o pé para ficar?

Pois é, não ficou e foi o grande responsável pela queda do Palmeiras (alguém pode explicar a quantidade absurda de jogadores de qualidade altamente discutível que foi contratada?) e saiu pela porta dos fundos, como se dissesse "se virem".

E qual foi o prêmio dos dois?

Você afunda a empresa e, em troca, ganha de presente a vice-presidência do maior departamento dela.

Foi mais ou menos o que aconteceu.

Uma selecão "família"

Mas, como culpar a CBF e seus dois homens fortes, de suas ligações obscuras com o passado? Eles não sabem - ou nunca souberam - o que fazem.

O que se verá daqui para frente é uma nova versão da "Familia Scolari", mas sem ser um reality show. Um grupo será chamado, fechado e, como num exército, nossos jogadores serão insuflados a encarar a Copa de 2014 como uma guerra. E aí, "só a vitória interessa", como disse nosso novo líder.

A Família Scolari versão 2012 certamente terá vários membros com os quais você não concordará, até mesmo em papéis principais, mas chamados pela fidelidade ao nosso grande líder. O ditado que "os fins justificam os meios" será nosso mantra em busca do hexa.

O tempo é curto, Felipão tem como principal defesa ser um técnico acostumado a pressão, capaz de montar times com rapidez.

Não sei o que acontecerá, mas não esperem um futebol melhor do que aquele que reclamávamos que a equipe de Mano Menezes praticava. Não é o feitio de Felipão. Nem do Parreira.

Pode ganhar? Claro. Provavelmente, as outras seleções estão até nos olhando diferente, só por termos dois campeões mundiais de volta ao comando.

É só não aparecer uma França pela frente, ou até mesmo uma Honduras.

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