thumbnail Olá,

John Fahey fez um apelo para que as autoridades do futebol sejam mais vigilantes, encorajando o aumento da frequência dos testes anti-doping

O presidente da Agência Mundial Anti-Doping (Wada) afirmou que as autoridades do futebol ainda não estão fazendo testes suficientes para identificar a substância banida EPO.

John Faley, falando no Wada Media Symposium em Londres, falou ao Goal.com que o futebol deveria fazer mais na sua luta contra o doping e sua organização estaria disposta a ajudar.

"Não estão fazendo testes suficientes para EPO", disse Fahey. "Podem fazer e nós os encorajamos a fazer mais. Deveriam usar a inteligência e não apenas mais testes."

Assista ao vídeo com a entrevista completa aqui

Fahey também expressou seu desânimo diante da recusa do futebol em adotar o Passaporte Biológico dos Atletas como parte da munição na briga contra o doping e questionou a eficácia dos protocólos atualmente utilizados pelo esporte.

"Mais testes é um bom fator restringente e pode ser um método eficaz de pegar os culpados mas eu argumentaria que o Passaporte Biológico dos Ateltas é uma ferramenta extremamente eficaz," continuou.

"Por que o futebol não a usa? Eles podem. E, na minha visão, faria tudo mais efetivo."

Na última semana, surgiram alegações por parte do ex-presidente do Real Sociedad, Inaki Badiola, de que o clube havia pago por substâncias banidas entre 2001 e 2007, ainda que isto tenha sido negado.

O diretor geral da Wada, David Howman, citou a Major League Baseball (liga profissional de baseball dos Estados Unidos) como um exemplo a ser seguido pelo futebol. A MLB conduz mais testes do que muitas agências nacionais anti-doping e os jogadores de baseball são sujeitos a testes de quatro substâncias diferentes por ano. Jogadores de futebol de alto nível e outros atletas de esportes coletivos, por outro lado, podem passar até a carreira inteira sem jamais ter de fazer um exame de sangue.

Custos proibitivos foram citados como uma das razões pelas quais procedimentos anti-doping já muito difundidos não são adotados pelo futebol. No mês passado, o jornal alemão Suddeustche Zeitung divulgou que a Bundesliga não tem como financiar testes sanguineos para os jogadores apesar de ter conseguido mais de 2 bilhões de euros em receitas no ano passado.

"Eu reconheço que tudo isso custa dinheiro," disse Fahey. "E suspeito que alguns esportes tenham a capacidade de pagar por tudo muito mais facilmente que outros. Só posso encorajá-los a ver porquê isto deve se tornar uma prioridade para garantir a integridade do esporte."

Fahey também enfatizou a importância de evidência não-analítica na luta global contra o doping. Os casos de maior destaque envolvendo Marion Jones e Lance Armstrong não foram primariamente dependentes dos exames de sangue e urina, mas de testemunhos e investigações.

"Nós, ou nenhuma outra agência anti-doping, estamos no negócio de reagir a rumores. Você obviamente deve ser muito cuidadoso com as informações que recebe," continuou.

"Por outro lado, quase que diariamente nós recebemos informação anônima no nosso escritório central e garantirmos que os órgãos apropriados recebam estas informações para continuar as investigações - então nós não ignoramos nada. Mas temos de agir com base nos fatos.

"Em todos os lugares do mundo, pode-se fazer mais. Alguns jogadores de tênis veteranos dizem que nunca foram testados regularmente. Eu diria que o tênis pode fazer mais. O futebol pode fazer mais."