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Clube segue planejamento com classificação na Libertadores, principal objetivo da temporada, mas ainda não convence e sofre com lesões e baixo rendimento de algumas peças.

Por Matheus Quelhas

"Estou morrendo de saudade / de um tempo feliz que passou, e eu não vi". Os versos do samba de Nei Lopes e Wilson Moreira retratam bem o sentimento que só existe na língua portuguesa, e atualmente poderiam ser ouvidos como música-tema do tricolor das Laranjeiras. Classificado para as quartas de final da Libertadores e com o Brasileirão batendo à porta, o Fluminense, que ainda não encontrou o caminho do bom futebol que o levou ao título nacional em 2012, precisa se reinventar para que uma folha salarial estimada em seis milhões de reais resulte em títulos - como todos esperam no clube.

Na Taça Guanabara, a classificação em segundo lugar no Grupo B não chegou a preocupar. Afinal, o início de temporada e a priorização da Libertadores levaram o clube a mandar a campo por várias vezes uma escalação alternativa, dando espaço para o surgimento de jovens como Michael e Samuel - este último foi o artilheiro da equipe no primeiro turno do Carioca, com quatro gols. Ainda assim, com quatro vitórias (somente uma delas em casa e nenhuma em clássicos) e quatro empates nos oito jogos disputados, esteve longe de empolgar. A eliminação para um Vasco desacreditado e que havia somados os mesmos 16 pontos foi lamentada mas ainda creditada ao início de ano.

A estreia regular na Libertadores, na vitória por 1 a 0 sobre o fraco Caracas, fora de casa, não foi considerada um teste, mas o verdadeiro passeio do Grêmio no Engenhão, na partida seguinte, quando o tricolor carioca foi batido por 3 a 0, ligou a luz de alerta nas Laranjeiras.



Se Deco ainda não voltara à sua melhor forma - o meia sofreu uma lesão muscular ainda na pré-temporada -, Wagner teve início melhor que o do ano anterior mas segue longe de demonstrar o futebol que o consagrou no Cruzeiro, assim como Thiago Neves e Rafael Sóbis. Mas o setor mais critico era a defesa. Com Gum se recuperando de lesão, Anderson não passava confiança no miolo de zaga e Leandro Euzébio caiu de produção sem seu usual companheiro.

Na sequência da já citada semifinal da Taça Guanabara, dois empates pelo torneio continental, contra Huachipato, em casa, e Grêmio, seguidos de uma derrota no clássico contra o Flamengo, já davam sinais de que o Fluminense demorava a se encontrar em 2013. O próprio técnico Abel Braga foi alvo de críticas da torcida, pois o esquema de jogo mais recuado apostando na velocidade de Wellington Nem se mostrava ineficaz, ao contrário de 2012, quando o apoiador foi um dos destaques da equipe.

Felizmente para os Cariocas, a classificação para a próxima fase da Libertadores veio mesmo sem o time convencer, mas antes de sacramentar sua passagem às quartas de final, derrota para o Botafogo no estádio Raulino de Oliveira e título alvinegro no clássico vovô. É bem verdade que o campeonato estadual, cada vez mais esvaziado, estava longe de ser o objetivo tricolor neste primeiro semestre, mas o sexto clássico sem vitória é mais um dos sintomas de uma equipe que ainda não encaixou.

Sem dúvida o golpe mais duro para o elenco neste início de ano foi a lesão de Fred, que por conta de um problema muscular no joelho direito só retornou - com gol crucial - na partida desta quarta-feira, marcando de cabeça e tirando a faça do pescoço do Fluminense, já que na primeira partida o equatoriano Emelec havia vencido por 2 a 1. É inegável que a liderança exercida pelo capitão, dentro e fora do gramado, confere por várias vezes o "algo a mais" que falta ao tricolor carioca. E por isso mesmo, é fundamental para o sucesso nesta temporada que jogadores como Thiago Neves (que também já se lesionou, no fim de março), Sóbis e principalmente Wagner dividam mais a responsabilidade com o camisa 9.

Uma alternativa para o baixo rendimento dos meias seria apostar nos experientes Deco e Felipe. Entretanto, o caso de doping do luso-brasileiro ainda não foi solucionado, enquanto o técnico Abel Braga não parece disposto a dar muito espaço para o ex-vascaíno. Contratado no ano passado com o aval do treinador, Felipe costuma entrar sempre no final das partidas e se somarmos seus minutos em campo com a camisa tricolor neste ano, o total é de somente dois jogos (183 minutos).

Confiando num sistema de jogo que prioriza as jogadas de velocidade para a finalização principalmente de seu clínico centroavante, assim como em 2012, falta ao Flu versão 2013 maior consistência de suas duas principais peças na função: Rhayner e Wellington Nem. O primeiro conseguiu dar fim ao jejum de mais de dois anos sem marcar, mas não convence em razão do baixo aproveitamento nas finalizações; já Nem não repete as grandes atuações que o fizeram ser um dos que mais brilharam na última temporada.



Além dos atletas, pode-se também dizer que a diretoria tricolor trabalhou pouco para aumentar as opções do técnico Abel Braga, principalmente no setor defensivo e no banco de reservas. Se Monzón, contratado junto ao Lyon, rendeu muito abaixo do esperado e Wellington Silva, trazido do rival rubro-negro, foi mais uma vítima de contusão, seus respectivos titulares - Carlinhos e Bruno - são constantes alvos da torcida por conta de sua irregularidade. No miolo de zaga, Gum e Leandro Euzébio estão distantes daquilo que os tricolores consideram uma dupla segura, e ainda assim não há movimentação aparente para a contratação de zagueiros.



Em termos de conjunto, o elenco é bem qualificado e tem a mesma base que conquistou o Brasileirão do ano passado, isso é um fato. Contudo, nem sempre a manutenção dos jogadores é suficiente para manter o nível de competitividade atingido em um ano de conquistas, exatamente a situação vivida pelo Fluminense atual. Resta aos comandados de Abel Braga buscar o rendimento do "time de guerreiros", cântico que voltou a ser entoado, em São Januário, na partida contra o Emelec e que ilustra as boas possibilidades de um ainda tímido Fluminense - mas que seja rápido, pois não há espaço para vacilos entre as oito melhores equipes da Libertadores, grande objetivo do clube carioca.

O Fluminense estreia no Campeonato Brasileiro contra o Atlético Paranaense no próximo dia 25 de maio, ainda sem local definido em razão da situação do Engenhão, atualmente interditado - São Januário e Raulino de Oliveira são as opções mais palpáveis até agora. Pela Libertadores, o tricolor das Laranjeiras aguarda Tigre-ARG ou Olimpia-PAR nas quartas de final do torneio (os argentinos venceram a primeira partida em casa por 2 a 1 e o jogo de volta ocorre na quinta-feira, dia 16 de maio).

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