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D'Alessandro e o Gre-nal: um caso de amor

D'Alessandro e o Gre-nal: um caso de amor

Alexandre Lops/Divulgação Internacional

O meia do Inter, que chegou ao clube em 2008, completa 200 jogos com a camisa colorada neste domingo, contra o Grêmio

Mal sabia D'Alessandro que, alguns anos depois de aterrissar em Porto Alegre, seu nome estaria para sempre na história do colorado.

El Cabezón foi apresentado no Inter em 31 de julho de 2008 e completa 200 jogos com a camisa colorada amanhã, às 16h, no Gre-nal que define a vaga para as semifinais da Taça Piratini – primeiro turno do Campeonato Gaúcho.

Também foi em um jogo contra o Grêmio que o argentino, que à época usava a camisa de número 15, fez sua estreia, o que, vendo com o distanciamento de alguns anos, parece mostrar que ele estava predestinado ao sucesso no Inter. Um bom exemplo disso é o fato de que, sempre que D'Alessandro marcou gol em Gre-nal, o Inter nunca perdeu e empatou apenas uma vez.

Ainda no ano em que chegou veio o primeiro título: a Copa Sul-Americana de 2008, fazendo com que o Inter fosse o primeiro brasileiro a vencer a competição, feito que continuava até a vitória do São Paulo na edição do ano passado do torneio. Logo surgia um novo ídolo para o clube do saci.

Uma das principais, senão a principal, atuação do gringo com a camisa vermelha foi também em 2008, no Gre-nal dos 4x1. D'Ale, como é carinhosamente chamada pela torcida, marcou um gol e deu assistência para os outros três.

Foi nesse momento que o jogador começou a fazer sua vítima preferida: o goleiro Victor, eleito o melhor do Brasil em 2008 e 2009 pelas atuações com a camisa do Grêmio.

Apesar disso, contra D'Alessandro não tinha jeito. O goleiro levou seis gols do argentino em Gre-nais e até hoje é lembrado como freguês do inventor do drible La Boba.

Em 2009, apesar do título gaúcho, D'Alessandro e o Inter acabaram batendo na trave tanto na Copa do Brasil quanto no Campeonato Brasileiro. Na Copa do Brasil, na final contra o Corinthians de Ronaldo, D'Alessandro acabou expulso depois de arrumar confusão, algo que é tão característico ao gringo quanto seus passes e chutes precisos. O jogador não é dos mais bem quistos pelos árbitros, que não raro o expulsam por suas reclamações excessivas.

No Brasileirão do mesmo ano, o Inter poderia ter levantado a taça se no derradeiro jogo o Grêmio, que jogava no Maracanã contra Flamengo, vencesse a partida. E isso quase aconteceu, com os tricolores abrindo o placar no começo do jogo com gol de Roberson; no entanto, a virada por 2x1 veio e o caneco ficou com os cariocas, que tiveram em Adriano e Petkovic os seus principais jogadores naquela campanha.

Apesar disso, 2010 foi um grande ano para D'Alessandro. Ele e Giuliano conduziram o time ao título da Libertadores passando por Estudiantes, São Paulo e, na final, o Chivas Guadalajara, que perdeu os dois jogos para os colorados. Foi o título continental que fez D'Alessandro ser eleito, pelo jornal uruguaio El País, o melhor jogador da América naquele ano.

Mas nem tudo foram flores em 2010, ano que culminou na acachapante e totalmente inesperada derrota por 2x0 para o congolês Mazembe na semifinal do Mundial Interclubes, jogo que todos os colorados preferem esquecer, sendo este o maior fiasco da história centenária do clube.

2011 veio e, com ele, mais um título gaúcho: depois de perder a primeira partida no Beira-Rio para o Grêmio do técnico Renato Gaúcho por 3x2, o Inter, comandado pelo ídolo Paulo Roberto Falcão, devolveu o placar no Olímpico depois de sair perdendo por 1x0 e levantou a taça nos pênaltis. Além do gauchão, D'Alessandro também colocou no currículo a Recopa de 2011.

Já 2012 foi um ano para esquecer: convivendo com muitas lesões, D'Ale participou de menos da metade dos jogos do Inter no ano. Mesmo quando entrava em campo, El Cabezón tinha atuações apagadas. Os colorados, tendo como técnico Fernandão, capitão do Inter em 2006, maior ano da história colorada em termos de títulos, acabaram tendo uma campanha pífia no Brasileiro, depois de serem eliminados da Libertadores pelo Fluminense.

Restou, como é rotina na vida do argentino, estragar a festa do Grêmio, que se despedia oficialmente do estádio Olímpico no último jogo do Brasileirão, contra o Inter. Mesmo com 2 a menos em campo, os colorados seguraram o empate em 0x0, com D'Ale sendo o maestro do time, e fez os gremistas precisarem disputar a pré-Libertadores contra a LDU em 2013, em dois jogos que trouxeram muitas dificuldades para os tricolores.

Neste ano, com a chegada de Dunga, que deu moral para seu camisa 10, D'Alessandro parece estar recuperando a confiança e o bom futebol que o tornaram aquilo que todos os jogadores almejam, mas poucos conseguem ser: um ídolo.

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