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Dirigente admite ter envolvimento com empresa, alvo da Operação Durkheim, mas diz que desconhecia ilegalidade da atividade

No mesmo dia em que foi intimado a depor na sede da Polícia Federal, em São Paulo, o vice-presidente da CBF e presidente da federação estadual de futebol (FPF), Marco Polo del Nero, publicou nota no site da entidade explicando o motivo de ter sido convocado como parte da Operação Durkheim.

Ele admite ter contratado uma das empresas que estão sendo investigadas pela PF por venda de informações sigilosas. Segundo o dirigente, ele tomou a atitude para ter mais dados sobre uma terceira pessoa, não citada, com quem faria algum tipo de negociação, também não especificada. O contratado teria prestado o serviço conforme o combinado, inclusive através de comprovantes que mantinham o caráter idôneo da operação.

A Operação Durkheim observa 33 pessoas, como parte de um esquema criminoso de larga escala que também pratica atos contra o sistema financeiro.

Veja a nota na íntegra:

Com referência ao meu comparecimento às dependências da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros - DELEFIN - da Polícia Federal em São Paulo na manhã de hoje, 26/11/2012, para prestar esclarecimentos em inquérito ali instaurado, cumpre esclarecer à opinião pública o seguinte:

1. Em face da necessidade de formalizar situação jurídica de caráter eminentemente pessoal com terceira pessoa (e que nada tem a ver com minhas atividades de direção na Federação Paulista de Futebol, em qualquer outra entidade desportiva ou mesmo com o exercício da advocacia), deliberei obter informações mais detalhadas acerca de sua vida pretérita, de seu comportamento moral e social, bem assim dos eventuais registros forenses em seu nome existentes;

2. Para tanto, contratei empresa prestadora de tais serviços, cujo endereço localizei, entre outras, em publicidade comercial veiculada na rede mundial (internet);

3. Referido prestador de serviços (oferecidos publicamente, o que sugere legitimidade e regularidade), passou, então, a me fornecer algumas informações sobre o comportamento da pessoa indicada, tudo dentro da mais estrita legalidade, inclusive apresentando certidões e informes a todos disponíveis nos registros públicos;

4. Deu-se, então, que em determinado momento foi-me oferecido um relatório sobre mensagens escritas enviadas por essa pessoa a terceiros, o que despertou estranheza e preocupação visto que tal proceder extravasa da normalidade da simples verificação e adentra a órbita do proibido. Foi por essa razão que, diante de um relatório de investigação social que estaria a conter alusão a supostos diálogos captados , dispensei tais serviços, incontinenti;

5. Ocorreu, então, que tal prestadora de serviços veio a cair nas malhas dessa denominada “Operação Durkhein” da Polícia Federal, e em sua sede foram encontrados registros dos serviços que me havia prestado anteriormente. Por tal razão as investigações policiais foram estendidas e culminaram com busca e apreensão de documentos e computadores em minha residência (e até na FPF que nada tem a ver com meus assuntos pessoais);

6. Diante de tal cenário dispus-me a comparecer, espontânea e imediatamente, à sede da Polícia Federal, onde prestei os esclarecimentos que se faziam necessários;

7. Claro que não posso nominar as pessoas envolvidas no episódio em razão do segredo de Justiça decretado naqueles autos, sob pena de cometer violação de sigilo, que constitui delito. Reitero, no entanto, expressa e veementemente, que os fatos nenhuma ligação têm com o Futebol, paulista ou nacional, com qualquer delito financeiro a mim imputável ou com minhas atividades de advogado militante.

É o que me cabe esclarecer publicamente para que ilações equivocadas não se produzam a respeito do ocorrido.

São Paulo, 26 de novembro de 2012.
Marco Polo Del Nero.

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