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Presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, é indiciado pela PF por venda de dados sigilosos

Presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, é indiciado pela PF por venda de dados sigilosos

CBF

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda, uma operação para desarticular duas organizações criminosas. Marco Polo del Nero prestou depoimento e teve computadores apreendidos

Em reportagem desta segunda - feira veiculada no jornal Estadão, a Polícia Federal deflagrou nesta segunda, uma operação para desarticular duas organizações criminosas. Foram presas 33 pessoas. Marco Polo del Nero prestou depoimento e teve computadores apreendidos.

Confira a reportagem na íntegra:

 A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, a operação Durkheim para desarticular duas organizações criminosas, uma especializada na venda de informações sigilosas e outra voltada à prática de crimes contra o sistema financeiro.

A PF informou que prendeu 33 investigados, entre eles o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero, já liberado. Foram cumpridos ainda 87 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Goiás, Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro. Também houve prisões e buscas no Distrito Federal.

Marco Polo del Nero foi conduzido à sede da PF em São Paulo para depor nesta manhã e foi liberado em seguida. Ao Estado, o dirigente, proprietário de um escritório de advocacia, disse estar "absolutamente tranquilo" sobre o assunto. "É um assunto particular. Posso garantir que não tem relação com o futebol nem com meu escritório", afirmou Del Nero, também advogado criminalista.

O inquérito teve inicio em setembro de 2009, com a investigação do suicídio de um policial federal na cidade de Campinas que apontou a possível utilização de informações sigilosas, obtidas em operações policiais, para extorquir políticos suspeitos de envolvimento em fraudes em licitações.

Durante a investigação, a PF identificou duas organizações criminosas atuando em paralelo e de modo independente. As duas tinham como elo um investigado, que atuava para os dois grupos criminosos.

A PF aponta evidências de uma "grande rede de espionagem ilegal, composta por vendedores de informações sigilosas que se apresentam como detetives particulares". Os clientes desses arapongas, segundo a polícia, são, entre outros, advogados.

A quadrilha fornecia dados pessoais, inclusive bancários, para interessados nessas informações. De acordo com a PF, entre as vítimas, "há políticos, desembargadores, uma emissora de TV e um banco". A PF apurou ainda que parte da quadrilha fazia remessas de valores ao exterior por meio de atividade de câmbio sem autorização do Banco Central.

Cerca de 400 policiais federais participam da operação, que inclui 34 mandados de condução coercitiva - quando o investigado é levado à PF para depor, caso de Del Nero.

Os investigados serão indiciados pelos crimes de divulgação de segredo, corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo funciona, interceptação telefônica clandestina, quebra de sigilo bancário, formação de quadrilha, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

A operação foi "batizada de Durkheim, intelectual francês, um dos pais fundadores da sociologia, que escreveu o livro O Suicídio, em alusão aos fatos que deram início à operação", informou a PF.

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