thumbnail Olá,

Veterano e ainda um dos mais importantes jogadores do elenco, o meia discorda da filosofia do clube de só contratar jogadores jovens

O capitão do Liverpool, Steven Gerrard, acredita que ainda há espaço no futebol para os veteranos. Aos 32 anos de idade, Gerrard ainda comanda o meio-campo dos Reds e é um dos principais jogadores não só para no seu clube, mas também na seleção inglesa. Ele esteve em campo todos os jogos do Liverpool na Premier League nesta temporada.

Apesar da sua clara influência, dentro e fora de campo, Gerrard vem sentindo-se incomodado com a impressão de que a experiência está perdendo seu valor no futebol britânico. A FSG, empresa que comprou o Liverpool em 2011, possui uma clara filosofia de contratações que presa mais pelo talento de jovens jogadores. No início da temporada, o grupo vetou o negócio com o atacante Clint Dempsey, então no Fulham, por £6 milhões de libras, por ter sido considerado que, aos 29 anos, ele não ofereceria muitas possibilidades financeiras futuras ao clube. A própria indicação de Brendan Rodgers ao cargo de treinador é uma indicação da proposta do grupo americano, já que o técnico tem por estilo trabalhar com jogadores que se enquadram neste estilo. Desde a chegada de Rodgers, o jogador mais velho contratado foi Oussama Assaidi, com 24 anos.

O capitão, entretanto, não parece necessariamente compartilhar da mesma ideia.

"Eu discordo desta política, para falar a verdade. Já vi muitas contratações pelo mundo que chegaram aos clubes aos 29, 29 anos, ou até mais, e deram muito certo. O maior exemplo do momento é Frank Lampard. Se o Chelsea não renovar cpm ele, algum outro clube vai pegá-lo e terá um jogador capaz de produzir grandes atuações por mais uns dois anos, talvez. Alguém vai se dar muito bem," disse o ídolo Red em entrevista ao jornal britânico Guardian.

"Posso entender que todos queiram jogadores jovens, promissores e ingleses. Entendo, mas não concordo que este seja o único caminho. Você precisa mesclar a juventude com a experiência para ter sucesso nessa liga. Olho para o Aston Villa agora e a maioria dos jogadores deles serão ótimos atletas em alguns anos, mas o time precisa de dois ou três jogadores mais velhos para guiá-los agora. É preciso conseguir a mistura certa para dar certo."

No domingo, Gerrard se verá de frente com o seu rival mais amargo, e talvez uma das maiores provas de que verdadeiros talentos sempre terão alguma coisa a contribuir, não importa a idade. Robin van Persie, atual artilheiro da Premier Lague e candidato a craque do campeonato, foi comprado por £22 milhões aos 29 anos, e prova que valeu cada centavo do investimento.

"Não é da minha conta o que acontece no Chelsea, mas se eles não renovarem com Frank, alguma outra equipe vai conseguir uma barganha. Você só percebe a falta que fazem os Terrys e Lampards quando eles vão embora. É assim que é o futebol. Acontecerá a mesma coisa no United quando Scholes e Giggs se aposentarem. Há uma razão pela qual Alex Ferguson mantem os dois no elenco. Se alguém do calibre de Ferguson - que já ganhou tudo que ele ganhou e tem o seu conhecimento - sabe a importância de manter estes jogadores, isso te diz que a experiência é algo relevante para os profissionais."

Às vésperas de mais um clássico em Old Trafford em que o Liverpool, histórico adversário dos Red Devils, chega fragilizado pela disputa. Há alguns anos o time não consegue se estabilizar o suficiente na liga para disputar posições entre os primeiros colocados, e Gerrard admite que a vantagem está toda do outro lado.

"Perder em Old Trafford é a pior coisa. Não estamos no mesmo nível do United e do City. A tabela é prova disso. Mas não acho que estamos também milhões de anos luz atrás. Estamos em oitavo, e não é bom o suficiente. Estar em oitavo e ver o United voando alto de novo, é claro que isso me machuca. Mas o que se pode fazer? Temos que continuar lutando para tentar nos aproximarmos. Todos sabem que estamos para trás. O que podemos fazer para chegar ao nível deles é trazer bons jogadores para o clube. Demos muito azar de perder o primeiro jogo na temporada, em Anfield. Tinhamos o controle completo da partida, mesmo com um a menos. Mas somos as zebras nesse jogo. Não existe pressão porque todos esperam que eles nos vençam e nos vençam bem. Eles provavelmente tem os melhores jogadores na Premier League no momento, não perdem em casa faz tempo, então a pressão e o favoritismo estão todos do lado deles."

Apesar de reconhecer o favoritismo dos adversários, Gerrard fez questão de dizer que, para ele, o melhor jogador da Inglaterra no momento está atuando ao seu lado.

"Van Persie vem mostrando ano após ano que é um craque. Adoro vê-lo jogadr, mas, para mim, Luis Suarez é melhor. Ele é o melhor atacante com quem já joguei. Ele não recebe todo o crédito que merece depois de tudo o que aconteceu e todas as coisas pelas quais já passou, mas vai receber de mim. Imagine-se como um zagueiro tendo que marcar ele. Ele marca gols fantásticos, de qualquer jeito, de qualquer lugar do campo. Se ele entrar na área, é problema para você. É um brigador e um vencedor. Não gosta de perder nem em treino. Suarez, para mim, é nota 10 em todos os quesitos," defendeu.

Perguntado sobre a polêmica do gol de mão, Gerrard disse que a perseguição é injusta e que o mesmo tratamento não teria sido dado caso ele fosse inglês. Questionado sobre o que faria caso marcasse um gol de mão no último minuto contra o United em Old Trafford, ele não titubeou:

"Sairia comemorando. Não vou mentir e dizer que iria até o bandeirinha dizer que a bola pegou na mão. O que você acha que Wayne Rooney faria? É o futebol. Essas coisas acontecem. Você não entra em campo pensando em fazer isso, não acredito que foi intencional da parte do Luis. Dá pra dizer, pela forma como ele chutu a bola para o gol, que ele estava só esperando o juiz anular a jogada. Não estou dizendo que é certo, mas será que o Mansfield também nunca contou com uma decisão incorreta que os tenha favorecido? Não acho que teria sido esse problema todo se tivesse sido o Daniel Sturridge a fazer aquilo," encerrou.

Relacionados