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Pablo Aro Geraldes, e Luiz Alberto Moura, editores chefes da Goal.com Argentina e Brasil, respectivamente, analisam a possível chegada do craque argentino e seu impacto por aqui

Pablo Aro Geraldes
Editor-chefe
Goal.com Argentina
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O meia Juan Román Riquelme acabou de confirmar que não seguirá no Boca Juniors, e os olhares rapidamente se voltam para o Brasil. Na Argentina, circulam os nomes de Palmeiras, Flamengo e Santos, como possíveis destinos para ele... mas, por que o Brasil?

O estilo de jogo de Román carrega o 'gene brasileiro', globalmente apreciado, apesar da rivalidade entre os dois países. Mas atenção: como na história de Dr. Jekyll e Mr. Hide, duas personalidades convivem lado-a-lado no corpo do camisa 10: o jogador apático e inexpressivo, que atrasa o jogo do resto da equipe, e o talento explosivo, capaz de carregar todos os seus companheiros a vitórias e títulos justificados tão somente por sua presença.

Aos 34 anos, Riquelme é o jogador mais talentoso no atual futebol argentino, e pode também repetir o feito fora do país. Mas precisa de um ambiente que lhe faça feliz. Se está apático, vira alvo fácil para os mais variados insultos, exceto por parte dos torcedores do Boca Juniors, que tem um amor incondicional pelo camisa 10.

O Brasil parece ser o único destino que pode satisfazer seu estilo de jogo. A cadência, seu excelente pé direito e sua aura de líder podem mandar a bola sempre ao melhor destino. Nenhum clube que queira contar com ele, porém, pode ignorar suas relações conflituosas com técnicos e dirigentes no passado: Louis van Gaal, Manuel Pellegrini, Julio César Falcioni e até mesmo Diego Maradona foram alvos de sua insolência. Do mesmo modo, as diretorias de Boca e Villarreal sabem bem o quão difícil é o trato com Román.

O clube que fizer a aposta por Riquelme deve privilegiar o aspecto futebolístico, em detrimento do extra-campo. Pois é no campo, com a bola em seu domínio, que o meia consegue mostrar tudo o que é capaz.

 

Luiz Alberto Moura
Editor-chefe
Goal.com Brasil
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Com a recusa ao Boca Juniors, o mesmo time que teria dito que "estaria sempre a dispor", Riquelme parece mesmo com o destino traçado: o Brasil. Como disse Pablo mais acima, não são poucos os clubes que gostariam de contar com a habilidade do meia argentino. Um deles, o Flamengo, esteve muito próximo de contratá-lo, mas, numa pequena mostra do que podemos esperar, Riquelme desistiu por tachar publicamente o time carioca "muito ruim" após uma derrota acachapante para o Corinthians, no Rio de Janeiro, por 3 a 0.

As portas mais prováveis que devem ser abrir para ele seriam então as do Palmeiras. Representantes do clube paulista inclusive já teriam ido a Buenos Aires para conversar com dirigentes boquenses. O salário seria algo em torno de R$ 300 mil por mês, menos que outras estrelas do futebol brasileiro.

Mas, seria o time do Parque Antártica o melhor lugar para o argentino desfilar seu mais que reconhecido talento?

O clube alviverde é um dos mais conturbados politicamente no Brasil, talvez só se equiparando ao Flamengo em disputas internas. O presidente Arnaldo Tirone já teria dito que o argentino é muito caro e que o clube já tinha Valdívia para a mesma posição. Ao mesmo tempo, o técnico Gilson Kleina e o gerente de futebol César Sampaio são simpáticos à ideia da chegada de Riquelme. Fora isso, existem diversas correntes políticas internas e todas brigam entre si por poder.

O argentino é sabidamente de temperamento difícil e que gosta de "mexer seus pauzinhos" também fora das quatro linhas. Num ambiente sem muito comando, Riquelme teria um prato cheio para ditar normas como gostava de fazer no Boca Juniors.

A questão – como lembrado por Tirone - é que o Palmeiras já tem um meia sul americano que vive no departamento médico e adora uma indisciplina: Valdívia. Há correntes no clube que acham temeroso ter os dois jogadores no mesmo elenco. A saída, então, seria se desfazer do chileno. O problema é achar quem queira comprá-lo.

Por outro lado, Tirone não disputará as eleições para a presidência do clube no fim do mês. Quem assumir o cargo, ávido para dar uma alegria à tão sofrida torcida, faria de tudo para ter o craque. Entenda-se aí, ceder a seus caprichos.

Indiscutivelmente, mesmo com 34 anos, Riquelme teria aqui espaço para se destacar pelos motivos citados acima, mas será que após a Libertadores, caso o Palmeiras não conquiste o título ou faça uma boa campanha, ele estaria disposto a jogar uma Série B? Onde não há tanto destaque da mídia? Onde notadamente o contato físico, a correria e a entrega são as características? Ou ele seria um mar de técnica e habilidade em meio a um deserto de "pernas de pau"?

Riquelme é craque, isso ninguém discute. Mas a contratação dele por um clube cheio de questões políticas, esportivas e problemas a resolver gera mais interrogações do que certezas de que será um bom investimento.

A conferir. Depois da festa no aeroporto, a apresentação da torcida e dos primeiros jogos no Campeonato Paulista.

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