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EXCLUSIVO - Daniel Striani afirma que clubes menores serão altamente prejudicados por regras de responsabilidade econômica estabelecidas pela Uefa

EXCLUSIVO
Por Hocine Harzoune - Goal.com França

O empresário belga Daniel Striani não é exatamente um dos homens mais poderosos dos bastidores do futebol europeu, mas tomou coragem para agir como se fosse: na última semana, seu advogado anunciou que entraria com uma representação na Comissão Européia, o órgão executivo da União Européia, contra as regras do Fair Play Financeiro (FPF) estabelecidas pela Uefa, que prevê um controle rígido sobre os gastos dos clubes a ela filiados.

A regulamentação foi imposta durante a gestão atual do presidente Michel Platini, e tem como objetivo, a partir do controle mais rígido sobre os resultados operacionais dos clubes, promover o desenvolvimento das categorias de base e infraestrutura e, a longo prazo, a sustentabilidade do próprio futebol europeu, que movimenta bilhões de dólares todo o ano.

"Essas regras levarão a restrições sobre os investimentos, vai reduzir o número de transferências de atletas e vai prejudicar a receita dos empresários de atletas", declarou Striani em um comunicado ao qual Goal.com teve acesso. "Também vai impactar sobre o direito à livre circulação de capital, à circulação de trabalhadores e disponibilidade de serviços."

Para o agente belga, as medidas restritivas prejudicam não apenas a categoria, mas também vai restringir o crescimento de clubes menores.

"O Financial Fair Play vai aprofundar a desigualdade entre os grandes clubes e os menores. Eu trabalho principalmente com estes (menores), dái minha preocupação."

"Não sei se outros empresários têm a mesma opinião que a minha, ou se os clubes seguirão meu exemplo, mas estou confiante no desfecho."

Há um bom motivo para o otimismo de Striani: seu advogado é ninguém mais, ninguém menos que Jean-Louis Dupont, que ficou famoso por representar o jogador Jean-Marc Bosman em sua luta contra o sistema de transferências do futebol, abrindo precendetes para a Lei Bosman, que permite até hoje que os jogadores se transfiram a outros clubes ao final de seus contratos.

A Uefa, em contrapartida, se diz alinhada às leis da Comissão Européia e à vontade dos clubes e federações nacionais.

O caso mais notável envolvendo o FPF diz respeito ao Málaga, que foi banido de todas as competições organizadas pela Uefa por quatro temporadas, a começar pela próxima, em função de seu alto volume de dívidas.

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