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Jogador do Anzhi Makhachkala acredita que nem Pelé seria poupado na Rússia

A polêmica em torno da carta da torcida do Zenit, que pedia a não-contratação de negros pelo clube, evidenciou mais uma vez o problema do racismo no futebol russo. O zagueiro João Carlos, que atua no Anzhi Makhachkala desde 2011, conta que a organizada da equipe de São Petersburgo, atual campeã nacional, tem o costume de hostilizar os atletas negros que jogam no adversário.

Para o defensor, nem mesmo Pelé estaria livre dos insultos, ainda que o Rei conte com credenciais que o colocariam em qualquer plantel.

"Eles são realmente racistas. Em São Petersburgo, qualquer jogador negro que vá jogar lá é alvo de bananas, ficam fazendo aquele barulho de macaco. É bem complicado", contou em entrevista à ESPN Brasil.

"Se o Pelé fosse jogar hoje lá, a torcida ia ser contra. Mesmo que ele fosse o melhor de todos os tempos, a torcida iria fazer força para que o presidente não o contratasse, por melhor que ele fosse."

O problema vai além da questão racial, e passa também pela política. O Anzhi está localizado no Daguestão, região que deseja se separar do resto do país, e que encontra grande resistência do governo central.

"Ouvi dos jogadores que exite racismo de todos os tipos. Não só contra negros, mas também contra homossexuais, por exemplo. Contra quem atua no Daguestão, também existe preconceito", acrescenta o brasileiro de 30 anos.

Resta saber como o assunto repercutirá no próprio elenco do Zenit, que conta com jogadores como Hulk e Alex Witsel, belga de origem caribenha.

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