Paris Saint-Germain: Como ser um milionário

Novos ricos do futebol mundial têm muito a aprender com os exemplos recentes

Por Matheus Harb

Ligue 1 : Paris Saint-Germain
A 'onda árabe' que tem atingido os a Europa com seus investimentos milionários no futebol foi algo comemorado pelos clubes medianos. Estava aí a oportunidade para, em pouco tempo, atingir o patamar dos grandes, construindo elencos recheados de estrelas que garantiriam títulos aos montes.

Na prática, não é bem assim que acontece. O dinheiro ajuda, mas não é sinônimo de sucesso instantâneo. O Paris Saint-Germain, novo rico da Europa, pode tirar a prova disso com os dois exemplos do futebol inglês: o Chelsea, de Roman Abramovic, e o Manchester City, do Sheik Mansou bin Zayed.

CHELSEA: Pensar antes de agir
POLÍTICA DE CONTRATAÇÕES
Apesar dos altos gastos com futebol, a gestão Abramovic quase sempre acertou nos reforços. Jogadores como Cech, Drogba e Robben vieram de mercados médios, mas estouraram nos grandes palcos e hoje são referências do futebol mundial.

Quando investiu além da conta, geralmente o Chelsea se deu mal. Torres e Shevchenko custaram fortunas e fracassara, mas foram erros compensados pelas chegadas de Bosingwa e Essien, por exemplo.

Agora, os Blues olham para o futuro. Sturridge, Ramires, Mata e David Luiz são a base de uma nova geração vencedora.

OS COMANDANTES
A ascensão do Chelsea pode se resumir em um nome: José Mourinho. O português foi contratado logo após conquistar a Europa com o Porto, e não decepcionaria: foram dois títulos da Premier League, três copas nacionais e o estabelecimento dos Blues entre os grandes da Europa.

O retrocesso com Felipão foi logo corrigido, já que Guus Hiddink colocou a equipe na semifinal da Champions League. Carlo Ancelotti levou a equipe a mais um título, mas não resistiu a muito tempo.

André Villas-Boas é visto como a continuação do 'ideal Mourinho', embora não esteja conseguindo seguir os passos do mentor.


O SALDO - NOVE TEMPORADAS  
 

3 Premier Leagues
3 FA Cups, 1 League Cup


Champions League
:
1 vice-campeonato
4 semi-finais

 
 
As lições:
- Pesquisa de mercado
- Planejamento
- Treinador com bagagem

5 treinadores:
Mourinho, Grant, Scolari, Ancelotti e Villas-Boas
 
 

Gastos com contratações:
£ 572 milhões
(63 mi/temporada)

 


MANCHESTER CITY: Como não fazer
POLÍTICA DE CONTRATAÇÕES
Até montar o invejado elenco que tem em mãos hoje, o City bateu muito com a cabeça. Assim que os árabes assumiram, entrou em vigor uma política de aproveitar negócios de ocasião. Robinho, Bridge e Jô, por exemplo vieram nessas circunstâncias.

O fracasso no ano de estreia levou os Citizens a serem mais agressivos, tanto que chegaram a fechar com três atacantes de uma vez (Adebayor, Tévez e Santa Cruz) e dois jogadores em fim de carreira (Sylvinho e Vieira).

No 'desespero', o Manchester foi além de sua estrutura, e passou a contratar jogadores de nível mundial. Na leva recente, Agüero, Dzeko, David Silva e Yaya Touré se tornaram os pilares da equipe do Etihad Stadium.

OS COMANDANTES
Para assumir o projeto de crescimento do clube, Mark Hughes foi escolhido como treinador na primeira temporada do Sheik. A inexperiência do comandante teve um impacto direto no trabalho do City, já que atletas chegavam sem seu consenso, e a equipe nunca ganhava uma identidade.

Tudo iria mudar com a chegada de Roberto Mancini no meio da temporada 2009-10. Quase tudo. A equipe perderia a vaga na Champions League na última rodada, e pouco comemorou naquele ano.

Na temporada mais recente, enfim, a taça da Copa da Inglaterra. Porém, os problemas extra-campo com jogadores, como no caso Tévez, e a eliminação precoce na Champions League são aspectos que nem o experiente italiano conseguiu vencer.


O SALDO - QUATRO TEMPORADAS  
 

Premier League - 3º lugar (2010/11)
1 FA Cup (2010/11)


Copa da UEFA/Liga Europa
Quartas-de-final (2008/09)

 
 
Lições:
- Problemas extra-campo
- Falta de planejamento
-Contratações obsoletas

2 treinadores:
Mark Hughes e Roberto Mancini
 
 

Gastos com contratações:
£ 457 milhões
(114 mi/temporada)

 

Projetando o PSG

A ideia de insistir no pouco experiente Antoine Kombouaré demorou meia temporada para se provar falha. Fora da fase de grupos da Liga Europa, o PSG se viu forçado a centrar todas as suas forças no Campeonato Francês, e a buscar, enfim, um comandante com um currículo mais robusto. Além da pressão do título nacional, Carlo Ancelotti deverá montar um projeto de longo prazo, prevendo uma disputa de Champions League já na próxima temporada.

Caberá a Ancelotti montar uma equipe a partir de sua referência: o argentino Pastore

Enquanto isso, os parisienses precisam estar atentos ao mercado, o que não significa agarrar qualquer oportunidade de negócio. A possibilidade de trazer Pato e Kaká, por exemplo, é tentadora, mas há uma série de pontos a serem considerados antes da contratação. O treinador italiano parece ciente disso, de modo que iremos ver, em breve, contratações mais pontuais do que extravagantes.

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