Os heróis pouco reconhecidos de Real Madrid e Barcelona
Os destaques defensivos dos gigantes espanhóis.
Em todas as previsões para o clássico entre Barcelona e Real Madrid, a imprensa faz mais do que a sua parte em se concentrar nas estrelas ofensivas: Cristiano Ronaldo, Kaká, Benzema, Higuaín, Messi, Ibrahimovic, Xavi, Iniesta, entre outros.
Mas em um jogo que sempre é cheio de ansiedade, não há dúvidas que os jogadores que fazem o "trabalho sujo" de parar os ataques adversários também são importantes.É com estes heróis pouco reconhecidos que analisamos o clássico de domingo entre Barça e Real.
Lass Diarra
Mesmo que a linha defensiva do Real Madrid tenha melhorado com as contratações de Raul Albiol, Ezequiel Garay e Álvaro Arbeloa, a marcação merengue começa um pouco mais à frente no campo, com uma força que não desiste nunca em sua missão de perseguir o ataque adversário.
Depois que o meio-campista defensivo Mahamadou Diarra sofreu uma séria lesão no joelho na temporada passada, a frágil defesa do Real precisava de uma presença com força física à frente dos zagueiros. O técnico Juande Ramos decidiu trazer Lassana Diarra do Portsmouth na janela de transferências de janeiro.

Com a presença física de um tanque, o toque cheio de destreza que se compara ao de um jogador habilidoso, a antecipação de um vidente, os desarmes de um meio-campista central e a distribuição de jogo de um meia ofensivo, o francês lembra os dias de Claude Makelele e se tornou um favorito dos torcedores na capital espanhola.
Mas o que realmente conquistou os corações do Bernabeu é a movimentação de Lass. Como um Bulldog, o meio-campista alcança os jogadores adversários, lutando pela bola com determinação e, apesar de sua baixa estatura, consegue sair com a posse da bola.
A persistência e esforço que ele exibe quando está em campo (ele chega a correr até para sair do campo quando é substituido) é marcante. O francês é frequentemente aplaudido por seu trabalho incansável, que o garantiu o apelido de "Formiga Atômica".
Quando Lass está fora da escalação do Real, a equipe sofre com a ausência de um homem forte no meio-campo, com capacidade ofensiva, habilidade para inverter o jogo de lado a lado e luta constante para recuperar a bola.
Lass é um tipo de jogador especial, que pode desarmar jogadores, bater adversários no um contra um, acelerar ou diminuir o ritmo do jogo, produzir a bola em profundidade para os atacantes e chutar de fora da área quando necessário.
É esta versatilidade que inspirou os comentaristas de televisão do programa madrilenho La Sexta a se referir a ele como um 'todocampista': um jogador de todas as posições do gramado. é esta qualidade única que faz de Lass um dos jogadores mais importantes do Real para o domingo.
Antes do clássico, Cristiano, Kaká, Karim e os outros jogadores de ataque podem receber a maior parte das manchetes. Mas se o Real retomar o trono do futebol espanhol e estabelecer sua supremacia sobre o rival, Lass terá uma participação tão intensa quanto as estrelas.
O conjunto do Barça
Enquanto jogadores como Yaya Touré, Seydou Keita, Gerard Piqué e Carles Puyol são frequentemente considerados as rochas da defesa do Barcelona, a verdade é que o herói pouco reconhecido da defesa catalã é, apropriadamente, o próprio Barcelona.
Pep Guardiola arma sua equipe no 4-3-3 e seu método defensivo é caracterizado pela pressão total quando o adversário tem a posse da bola. Toda a equipe vai à frente como um organismo único, perseguindo cada bola como uma matilha de lobos, em grupos bem coordenados.
Até mesmo o goleiro e os zagueiros adversários não tem muito tempo para respirar. A pressão da defesa do Barcelona começa com os atacantes e o time é construido a partir da frente, tanto que na última temporada Thierry Henry, Lionel Messi e Samuel Eto'o cometeram mais faltas que Rafa Marquez, Puyol e Piqué.
Desde que assumiu o comando do Barça, Guardiola passa horas trabalhando esta pouco apreciada perseguição à bola. Ele chegou a dizer a Messi, "você já é o melhor jogador do mundo com a bola; agora você tem que se tornar o melhor do mundo sem ela".
Nomes como Yaya, Keita e Sergio Busquets não tem a mesma característica de destruição de jogadas de Lass ou Marcos Senna. Eles frequentemente contribuem ou ajudam mais no ataque do que ficando à frente dos zagueiros, como ficou evidenciado nos três gols marcados por Keita contra o Real Zaragoza no mês passado.Mas coletivamente, com a ajuda de Xavi e dos retornos de Messi, o meio-campo com três homens rouba a bola de seus adversários com facilidade e começa mais uma trama ofensiva.

Com este estilo de jogo, nenhum jogador em particular se destaca em suas tarefas defensivas, mas toda a equipe compartilha igualmente o comprometimento de tirar a bola do oponente.
Quando o Barça não está à procura da bola, está jogando com ela, às vezes parecendo estar brincando com os adversários enquanto seu jogo de passes deixa os defensores vendo estrelas.
Assim como no Real, Messi, Ibra e Iniesta podem ser responsáveis por deixar o público entusiasmado, mas em um jogo onde estrelas ofensivas podem sofrer com a marcação feroz, jogadores como Busquets, Yaya e Keita podem surgir como heróis inesperados.
Mesmo que o jogo de passes e dribles do Barça seja extremamente apreciado, o esforço que a equipe coloca na tarefa de recuperar a bola às vezes não é reconhecido. Já é tempo de alguém notar este trabalho.
Cyrus C. Malek, Goal.com Internacional
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