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O ensaio geral desenterrou mais problemas do que soluções antes da Copa do Mundo de 2014, conforme a equipe de reportagem do Goal acompanhou nas cidades-sede

REPORTAGEM ESPECIAL 
No Brasil: Greg Stobart, Kris Voakes, Eric Gomez & Luiz Moura 

A Copa das Confederações chegará ao fim no domingo, com a decisão que a Fifa, e grande parte do público, desejava. Mas enquanto o duelo do Brasil contra a Espanha, no Maracanã, representa o cenário de sonho que o órgão adoraria ver novamente na Copa do Mundo de 2014, o torneio tem produzido uma série de preocupações que precisam de uma solução rápida, antes que os verdadeiros olhos do mundo se voltem para o país.

A equipe de repórteres da Goal, acompanhou o torneio de todas as cidades-sede testemunhando as questões logísticas e políticas que fizeram este evento tão memorável para problemas fora de campo, quanto suas partidas emocionantes.

SEGURANÇA 


As ruas das principais cidades do Brasil estavam seguras para caminhar durante o torneio, mas os moradores estão irritados que a presença massiva da polícia seja ausente em um dia normal. Suas histórias são um pouco mais cautelosas, afirmando que normalmente precisam chamar um táxi para percorrer menos de 200 metros depois de escurecer.

Quando os protestos anti-governamentais começaram, inicialmente, a resposta da segurança chegou a ser regulamentada e organizada, permitindo que os manifestantes fossem ouvidos.

No entanto, com os eventos há um tom mais hostil, assim como a reação da polícia. Na semana passada, enquanto 300 mil pessoas marcharam pelo centro do Rio, as repercussões foram de balas de borracha e gás lacrimogêneo. Representou uma perda de controle do ponto de vista da polícia, e as primeiras páginas dos jornais na manhã seguinte condenaram a agitação crescente.

Enquanto o Brasil garantiu a vaga na final em Belo Horizonte,nesta quarta-feira, a polícia entrou em confronto com o público mais uma vez do lado de fora.

Com a Copa do Mundo cada vez mais próxima, os protestos não demostram sinais de diminuir e a Fifa quer saber como o governo brasileiro garantirá a segurança dos torcedores, jogadores e funcionários.

POLÍTICA 


A Fifa nunca poderia ter imaginado que os brasileiros, os mais apaixonados fãs de futebol, reagiriam violentamente por hospedar um torneio como este, nas últimas duas semanas.

Tudo teve início devido à um momento ruim; a Copa das Confederações começou logo após vários governos locais terem levantado as tarifas de ônibus, dando às pessoas uma razão para protestar contra.

Em poucos dias, os manifestantes adicionaram uma infinidade de outras questões à sua agenda. A luta contra a corrupção, contra os projetos impopulares que em breve será votado no congresso, e em relação ao montante de dinheiro público gasto na construção de estádios, sem as melhorias prometidas anteriormente nas cidades, tudo passou a fazer parte do debate. Esse sentimento de insatisfação foi claro em todos os protestos organizados, sendo que a maioria culminou em confrontos violentos.

O medo agora é que os grupos ligados a figuras políticas controversas possam tirar proveito da instabilidade geral. A Copa do Mundo do próximo ano ocorre apenas três meses antes das eleições para presidente, governador e congressos.

No entanto, a Fifa pode torcer por um resultado específico, como o secretário-geral Jerome Valcke observou - se o Brasil ganhar a Copa das Confederações, irá impor um certo grau de calma no país.

ESTÁDIOS


As arenas podem ter sido espetaculares de se ver pela TV, mas os participantes da jornada têm um pouco mais de causa para fazer o julgamento.

Em Brasília, o estádio de primeira classe desmente o caos nos bastidores. O Estádio Nacional, que será casa de clubes de quarta divisão depois da Copa, tem distintamente ambiente da quarta divisão e organização. Ligeiramente localizado a noroeste do centro da cidade, as cercanias consistem, principalmente, em pistas de terra e parques de estacionamento de cascalho e passarelas.

Em Salvador, a Arena Fonte Nova está cercada por todos os quatro lados por degradadas favelas, deixando os moradores com um lembrete constante de como o dinheiro do governo foi gasto.

Além disso, os arredores do estádio permanecem longe de ser completados. Em Salvador, o novo sistema de fluxo de tráfego ainda está para ser concluído, a estrada próxima às principais entradas estava sendo asfaltada na tarde antes de Nigéria e Uruguai.

O Mineirão, em Belo Horizonte, pelo menos, ainda tem muito da sensação de uma verdadeira experiência brasileira. Encontra-se na periferia da cidade, o que é uma das suas únicas desvantagens. E, é claro, já está pronto. A Copa do Mundo será um lugar melhor, com mais arenas como ele.

TRANSPORTE 


O transporte público pode certamente ser melhor. Em Brasília, existem apenas duas linhas de metrô, e mesmo assim ambos os serviços tem a mesma rota, que vai até 20 km de distância do centro da cidade. Belo Horizonte, por sua vez, tem apenas uma linha e Salvador não tem essa modalidade de transporte. Os táxis são abundantes em todas as três cidades, mas têm um alto custo.

O ônibus é de longe o modo mais comum de transporte público, a razão pela qual o aumento de preços provocou a desordem inicial. Mas tendo em conta as vias obstruídas, é também a mais lenta. O tráfego acontece dentro e ao redor das arenas, quase sem exceção.

A rede de transportes do Rio de Janeiro é muito mais avançada do que em outras cidades brasileiras, em grande parte devido ao fato de que a cidade também sediará os Jogos Olímpicos em 2016. Três estações de metrô servem ao Maracanã, com trens em intervalos regulares e o metrô - limpo, com ar-condicionado e de propriedade privada - é de uso livre para os detentores de bilhetes.

PESSOAS


Qualquer pessoa que tenha tido a sorte de ir a um jogo da seleção da casa durante a Copa das Confederações pode confirmar: a torcida brasileira é espetacular. Os cantos apaixonados e o hino nacional causam arrepios.

Os torcedores nas partidas estão cientes dos protestos, mas o foco deles é o futebol. Quando perguntados, a maioria compartilha da opinião de que as manifestações são saudáveis e positivas, mas que a violência associada não vai levar ninguém a lugar algum.

A simpatia e a vontade dos locais de conversar com qualquer estrangeiro que se aproxime inspira um sentimento de que todos são bem-vindos, e eles sabem que a Copa das Confederações é apenas uma prévia para o evento principal, no ano que vem. Uma vitória brasileira na final de domingo pode conseguir acalmar os ânimos daqueles que ainda se colocam contra os méritos de sediar a Copa do Mundo pela primeira vez desde 1950.

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