Teixeira vê reinado ameaçado na Vila

Presidente é o segundo há mais tempo no comando do Alvinegro e pode enfim ser desbancado

Ricardo Teixeira - CBF chairman - Brazil

São dez anos seguidos no poder e mais dois no início da década de 90. Quando Marcelo Teixeira foi eleito presidente do Santos pela primeira vez, no mandato de 1992/93, Neymar, pérola santista de 17 anos, nem mesmo havia nascido. Teixeira só voltaria a ser eleito em 1999. E, desde então, não saiu mais.

Com a atual série, Marcelo Teixeira é o segundo presidente com maior tempo no cargo na História do Santos. Perde apenas para Athiê Jorge Cury, mandatário do clube da Vila Belmiro de 1945 a 1971.

Com 26 anos como presidente, a história de Athiê no Peixe é grande. É considerado o melhor e maior presidente que o clube já teve. Em 1945, o então presidente eleito, Antônio Cristiano, nem chegou a exercer a função, tendo renunciado após ter sido convidado para assumir a presidência da Federação Paulista de Futebol. Em 27 fevereiro de 1945, em assembleia para se encontrar o presidente do Santos, Athiê foi escolhido por aclamação.

– Na época, ele já era um homem famoso em Santos porque havia sido eleito deputado federal e estadual, além de ser muito conhecido na bolsa de café – conta o jornalista e historiador do Santos Odir Cunha.

Athiê foi o presidente numa época em que os dirigentes de futebol eram amadores. O que importava era a paixão pelo clube. Com medidas inovadoras para a época – como programar excursões por outros estados e países e a decisão de não vender mais jogadores –, o presidente alavancou um time mediano até os anos 40, em uma superpotência mundial nas décadas seguintes.

A trajetória de Marcelo Teixeira também é parecida. Com ele como principal mandatário, o Santos voltou aos títulos. Foram dois Brasileiros (2002 e 2004) e dois Paulistas (2006 e 2007). Também por coincidência, inexistia oposição a Athiê, como contou o ex-jogador Pepe:

– Era a fase de glória e de títulos do Santos, ele (Athiê) ele conseguia se reeleger sempre – contou.

Mas foi só o Santos passar dois anos em branco, sem títulos paulistas, em 1970 e 1971, para que o mais longevo presidente da História do Santos saísse do clube.

Hoje, com Marcelo Teixeira, o Peixe não vence nada há dois anos. Seria o fim do reinado de Teixeira?

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