Se engana quem acha que esta Espanha é "amarelona"

Derrota para os Estados Unidos pode até fortalecer a Fúria na preparação para a próxima Copa do Mundo.

Fernando Torres, Spain (PA)
Os mais apressados viram a derrota da Espanha diante dos Estados Unidos como mais uma “amarelada”da Fúria, desdenhando da fama de melhor seleção do mundo que a equipe ostentava antes da Copa das Confederações. Não partilho desse radicalismo, e como Iker Casillas, acredito que algo de positivo pode ser tirado do revés no caminho espanhol até a Copa do Mundo.

Quem diz que a Espanha sofre em decisões porque perdeu na Copa das Confederações, esquece que essa geração espanhola venceu uma competição muito mais importante no ano passado. Acredito que a Euro tenha apagado o estigma de perdedor que rondava o time ibérico até 2008. Perder para um adversário inferior em uma competição não tão importante é normal. Só para refrescar a memória, um ano antes da Copa de 2002, o Brasil foi eliminado por Honduras na Copa América.

O que é preciso analisar quando se olha para o time espanhol é que ele segue sendo um dos mais fortes do mundo, tanto na parte coletiva quanto individual. A geração de jogadores é a mais talentosa do país em muito tempo, e a seleção tem um padrão de jogo bem definido e vencedor. O espírito competitivo provou não ser um problema quando a equipe bateu a Alemanha, tradicionalmente a mais competitiva das seleções, na Euro.

A derrota para os Estados Unidos pode servir como um alerta para a Espanha, já que em boa parte do jogo a equipe mostrou displiscência e uma atitude de quem imaginava que o jogo se resolveria naturalmente. Os espanhóis pagaram por isso e certamente lembrarão desta lição. Com o revés, o holofote sairá um pouco da Fúria e diminuirá a pressão sobre a equipe na Copa do Mundo.

Mais atentos e respeitosos com os adversários e sem a gigantesca expectativa que vinha aumentando com a série invicta, a Espanha pode ser ainda mais perigosa e competitiva na Copa do Mundo do próximo ano. A Euro 2008 provou que esta Espanha é diferente das gerações passadas que colecionaram fracassos, por isso não é prudente se apressar em dizer que a derrota para os Estados Unidos recoloca a Fúria em seu papel histórico de seleção intermediária no cenário mundial.

André Baibich, Goal.com
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