Racismo contra Tinga revolta cruzeirenses

Treinador critica duramente a postura do antiprofissional do clube, e preconceituosa da torcida do Real Garcilaso, do Peru
A derrota do campeão brasileiro na estreia da Libertadores ficou em segundo plano por conta dos lamentáveis atos de racismo contra o volante Tinga, do Cruzeiro, durante a derrota por 2 a 1 para o Real Garcilaso do Peru. Os 3.250 metros de altitude de Huancayo, foram determinantes para a virada sofrida pela equipe celeste, mas problemas extra campo atrapalharam o time mineiro.

Situações antiprofissionais como falta de água nos vestiários, e revista constante e frequente do veículo do clube,, serviram para manchar a imagem do clube peruano enquanto respeitador do fair play. Porém, nada comparado aos torcedores, que perseguiram Tinga durante o jogo e imitavam o som de macaco toda vez que o atleta negro pegava na bola.

O treinador Marcelo Oliveira lamentou essa 'guerra psicológica' e o ambiente extremamente hostil.

”Eu pensei que a guerra fosse técnica, de tática, de luta dentro do campo, o que vimos aqui foi um campo sem a menor condição, muito ruim, e todos esses episódios que se passaram aí, que atrapalharam um pouco o Cruzeiro. Vamos em frente, outros vão vir aqui e terão dificuldades também. Vamos ajustando, gostei de boa parte do jogo, chegou, fez jogadas, poderia ter feito o segundo gol, o segundo tempo foi comprometido pelo aspecto físico”, disse o treinador campeão brasileiro.

”Tivemos problemas desde ontem. Você está numa Copa Libertadores, com toda expressão de uma competição continental, você chega para treinar, uma coisa combinada, não pode entrar, não tem ninguém para abrir o portão. Você entra, treina 15 minutos e apagam a luz. Em 15 minutos você mal consegue fazer o aquecimento. Agora cortaram a água aqui também, é uma coisa ridícula, retrógrada, a gente não esperava”

”Não justifica o resultado, a gente poderia, pela qualidade que tem, ter feito um resultado melhor, mas não foi possível, vamos recuperar no próximo jogo da Libertadores”, completou o treinador cruzeirense.


                                                   Tinga foi perseguido por provocações racistas no Peru

Outro cruzeirense bastante revoltado após a partida era o diretor de futebol Alexandre Mattos, que criticou com dureza as condições lamentáveis encontradas no Peru.

”O que fizeram aqui hoje não tem palavras. Não tem água ali dentro, mas isso é um aprendizado. O Cruzeiro vai muito forte nesta Libertadores. Os caras estão de cabeça erguida e vão muito forte nessa Libertadores. Eu estou falando para a torcida: vai muito forte. Porque o que fizeram aqui hoje, mexeram com um gigante, e nós vamos atropelar agora, atropelar. O que fizeram com o Tinga foi uma palhaçada, uma sacanagem, isso é um bando de covarde e de babaca”, reclamou Alexandre Mattos em entrevista para a Rádio Itatiaia.

”Este estádio não tem condição nenhuma, uma cidade sem hotel, sem água, um perigo ali do lado, jogador cair naquela pista e machucar, na hora que um arrebentar a cabeça eles vão tomar providências, mas vai ser tarde demais. O Cruzeiro já notificou várias coisas que aconteceram aqui, nossa van foi revistada por essa polícia, depois de novo aqui dentro, uma indelicadeza muito grande, esse campo não tem condição de jogo, não só pelo gramado, mas não é desculpa. Aprendemos, e vamos muito fortes, atropelar quem aparecer, vamos mesmo, não vai ficar assim. Nós vamos fazer o que tiver que fazer, eles têm que aprender que futebol é coisa séria e vale milhões, eles brincam com isso. Um jogo deste aqui teria que ter sido em Lima"

Sobre a atitude racista da torcida, Mattos afirmou que o ocorrido foi um 'retrocesso da humanidade'.

"É um retrocesso na humanidade. Eu sou educado, não vou falar como eles são, vocês viram o nível que é a raça que é. A gente respeita, não somos assim. Vamos ter respeito, coisas que eles não tiveram. O Tinga é homem, passa por cima. O que sentimos aqui é um retrocesso da humanidade. É pensar pequeno, em um lugar pequeno, que não devia nem existir futebol”, completou o dirigente.

A Conmebol também lamentou o incidente em Huancayo, através da rede social oficial da Libertadores da América: “Sobre o tema de racismo em Real Garcilaso e Cruzeiro. A Confederação Sul-americana analisará o tema e possíveis sanções pertinentes. Pedimos tranquilidade aos torcedores do Cruzeiro. Sabemos que é repudiante”.