O Santos e suas dificuldades diante da retranca

Equipe de Muricy Ramalho foi 'encaixotada' por uma marcação feroz corintiana nos dois jogos
O Santos com a posse da bola, trocando passes na intermediária, do zagueiro para o lateral, daí para o volante e de volta para o zagueiro. Essa talvez tenha sido a cena mais comum do confronto com o Corinthians na semifinal da Copa Libertadores, o que mostra a falta de capacidade do time santista de passar pelo bloqueio defensivo. Goal.com analisa os motivos para que o time não conseguisse criar com maior eficiência.

UM GANSO MUITO RECUADO

É impossível saber se o recuo de Ganso, participando da saída de bola, tenha sido uma determinação de Muricy Ramalho ou uma reação do camisa 10 ao espaço reduzido da entrada da área. O que é certo é que faltou o toque final de classe do principal articulador santista.

No início do ano, o Santos apresentou a variação de fazer Ganso participar da saída de bola e soltar Arouca para chegar nas imediações da área. Funcionou, mas como uma variação. Diante do Corinthians, sempre que o Santos tinha a bola, Ganso aparecia quase ao lado de Adriano.

Ali, ele tinha liberdade, mas não conseguia ter um impacto maior sobre o jogo. O Corinthians deu espaço para a saída de bola santista na maior parte do confronto. Era um risco calculado. O que o Timão não queria era que alguém encontrasse espaços perto de sua área, algo que Ganso tem capacidade de fazer com passes geniais, desde que esteja perto do gol adversário.

UMA EQUIPE FÍSICA DEMAIS

Em alguns momentos do início do ano, o Santos mostrou extrema capacidade de livrar-se da marcação, com um meio-campo leve e extremamente movediço. As trocas de posições eram constantes com o meio-campo que, na época, era formado em losango por Arouca, Elano, Ibson e Ganso.

A situação muda de figura quando o losango transforma-se em um 4-2-3-1 e Alan Kardec assume o lado direito da linha de articuladores. Nessa formação, a movimentação fica bem mais limitada, especialmente se considerarmos o fator citado acima do recuo demasiado de Ganso.

Kardec dá poder ao Santos na bola aérea, o que se viu claramente na origem do único gol santista durante o confronto. Não há como negar, porém, que o meio-campo do Santos se mexe menos com ele em campo e, assim, tem mais dificuldades de sair de uma retranca.

O POSICIONAMENTO DE NEYMAR

Geralmente, a movimentação de Neymar saindo do lado esquerdo e participando das jogadas na região central do campo é bastante produtiva para o Santos. Isso se dá pela aproximação com Ganso para as tabelas. Com o maestro lá atrás, porém, a centralização da estrela pouco faz de positivo para a equipe.

Com Neymar pelo meio e sem companhia de qualidade para buscar as tabelas, ele fica com menos espaço para buscar a arrancada, já que está cercado por volantes e zagueiros. Dificilmente o lance individual dura mais que um drible, já que a cobertura está muito próxima.

Quando Neymar sai da esquerda para o meio, costuma destruir defesas com suas tabelas com Ganso. Sem elas, ele apenas fica 'encaixotado' na marcação e ainda desestrutura o lado esquerdo ofensivo do Santos, que passa a apostar na jogada individual de Juan para criar alguma coisa.