Flamengo: os perigos da altitude em Potosí

Goal.com projeta as possíveis dificuldades do Rubro-negro no primeiro confronto frente aos bolivianos

Por Fernando Cardoso

Luxemburgo - Flamengo
Divulgação
Começando a corrida por uma vaga na fase de grupos da Libertadores 2012, o Flamengo enfrenta nessa quarta-feira o Real Potosi da Bolívia, com cobertura ao vivo do Goal.com a partir das 21h50. E projetando as dificuldades que a equipe de Luxemburgo pode sofrer com o fator climático, listamos alguns dos perigos a que o Fla tem de estar preparado diante da equipe boliviana.

Fator aclimatação

Ciente das dificuldades de se jogar 4 mil metros acima do mar, a comissão técnica do Flamengo levou seus principais jogadores com antecedência para a cidade de Sucre na Bolívia. Apesar da ‘cidade-sede’ da concentração do Fla ficar a 2.700 mil metros acima do mar, para efeitos de aclimatação, a diferença não tem importância.

Isso porque os efeitos mais críticos da altitude passam a ser sentidos a partir dos 2.700 mil metros, logo a ida para Potosi somente no dia da partida não deve fazer tanta diferença aos jogadores em campo.

Tempo de adaptação

Fundamental para o desempenho pleno das atividades dos atletas em campo, a adaptação é diferente da aclimatação, comentada acima. Para realmente ter uma adaptação ao ambiente boliviano, a delegação rubro-negra necessitaria de pouco mais de um mês de estadia no país andino, o que é inviável considerando o calendário de jogos da temporada brasileira.

Contudo, o médico do Fla que acompanha o Rubro-negro em Sucre minimizou as possíveis dificuldades da ausência de adaptação dos jogadores.


Quero lembrar que não estamos fazendo uma aclimatação e sim uma adaptação. Os jogadores podem sentir os efeitos da altitude, mas graças a este trabalho que estamos fazendo aqui, conseguirão fazer as atividades, mesmo sentindo os efeitos

- Luiz Baldi, médico do Flamengo

Fatores técnicos

O mais importante e visível no desempenho dos atletas são os fatores técnicos de se atuar acima do mar. Em uma pesquisa da Universidade de Oxford, realizada por Patrick McSharry, apontou para a vantagem dos bolivianos atuando em casa, por conta dos efeitos da altitude sofridos pelos adversários.

Além dos efeitos de falta de ar e do cansaço excessivo dos jogadores pelo ar rarefeito, o chamado ‘tempo de bola’ também é destacável nesse elenco de dificuldades. Em uma altitude maior, a bola gira menos e corre mais, o que pode atrapalhar os jogadores não acostumados com tais condições.

Segundo o pesquisador, a vantagem dos times bolivianos aumenta a cada mil metros acima do mar: “Para cada quilômetro de variação na altitude, a diferença é de aproximadamente meio gol”, explica McSharry.

Entretanto, com a aclimatação realizada pelo grupo do Flamengo, espera-se que estes efeitos sejam diminuídos e o Rubro-negro consiga ter um bom resultado diante da equipe boliviana, sem sofrer tanto quanto há cinco anos atrás, frente ao mesmo Real Potosi.


Naquela época a gente sofreu mais porque veio para o jogo em cima da hora. Agora a história foi diferente. Senti falta de ar no outro jogo, foi uma dificuldade muito grande, mas agora voltamos mais bem preparados. Deu para ter uma noção da dificuldade, não é nenhum bicho de sete cabeças.

- Renato Abreu

A possibilidade de usar o fator altitude a seu favor também é projetada pelo meia, que disse ter treinado os chutes de longa distância e bola parada para tal finalidade.

Tenho um chute forte, aqui na altitude acaba que a bola sai mais rápido. Além de trabalhar a parte tática, vamos pensar nisso. Vamos encontrar dificuldade na maneira de bater na bola. Temos usado bastante a bola parada, espero chutar mais vezes no gol

- Renato Abreu

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