Milan: os atacantes aquém das expectativas

Pato e Robinho surgiram como grandes nomes do futebol brasileiro, mas hoje são apenas bons jogadores no cenário mundial

Por Arthur Nonnig

Pato & Robinho - Milan-Udinese - Serie A (Getty Images)

Sempre que alguém tenta fazer uma lista dos atacantes brasileiros que estão em destaque na Europa, Pato, Hulk e Robinho aparecem. Diferentemente do atacante do Porto, os jogadores milaneses surgiram como grandes promessas, nomes que chegariam ao posto de melhor do mundo. O tempo passou, e a dupla do Milan perdeu o encanto de outrora, ficando aquém do esperado.

Pato, o sucessor da 9

Pato apareceu diante do Palmeiras, deixando um gol, dando passe para outro de Iarley. Meses depois, o jovem fazia embaixadinhas com o ombro no Mundial de clubes, marcando na semifinal. Na temporada seguinte, o atacante treinava na Itália, esperando a idade para atuar no Calcio.

Em alguns jogos do Milan, Alexandre já justificava o seu investimento, com gols decisivos e talento indiscutível. No entanto, com o tempo, o brasileiro perdeu espaço no time, caindo de rendimento, sofrendo com lesões, deixando a desejar para os fãs rossoneri.

Alexandre Pato - Milan (Getty Images)

Atualmente, Pato é reserva no time de Allegri. Sem as mesmas atuações de outras temporadas, sofrendo com um corpo que não acompanha, o atacante já não corresponde às expectativas do início de sua carreira. Na seleção, o camisa 9 perdeu espaço para Damião e Fred, como centroavante principal. No Milan, Pato atua esporadicamente, mas alterna boas atuações com “sumiços” dentro de campo.

Contra o Barça, Pato mostrou o motivo de tantas expectativas ligadas ao seu nome. Com uma arrancada do meio campo, o jogador deixou para trás todos os defensores do maior time do mundo. Porém, no Calcio, Pato já passou jogos inteiros sem chegar perto do gol, sem mostrar reação.

Robinho, o talento da Vila

Robinho encantou o Brasil com suas pedaladas à frente de Rogério. Logo, o mundo já via o menino da Vila mostrando seu talento ao lado dos galácticos merengues. Porém, após perder espaço no Real, o promissor atacante partiu para Inglaterra, mês não obteve sucesso. No Milan, o “representante do futebol arte brasileiro” deixou de atuar como um homem de frente.

Como meia, Robinho não parte mais para cima da marcação, não encanta por seus dribles inesperados. Na Europa, aos poucos, o ex-santista perdeu a “magia” de seu futebol, sendo apenas mais um no grupo milanês.

Quem assiste ao meia Robinho ainda enxerga habilidade com a bola, mas não consegue encontrar a mesma ousadia dos tempos de Vila. O brasileiro recebe, toca, tem boa movimentação, mas, mesmo quando atua ao lado de Ibra, não é mais “o rei das pedaladas”.

A chance ainda existe

As lesões, a vida extracampo, a falta de raça são fatores que atrapalham as atuações dos atacantes brasileiros no Milan, porém, em alguns momentos, a falta de gana parece ser o fator decisivo para o desperdício de talento da dupla milanesa. Pela falta de futebol dos brasileiros, o Milan busca mais um atacante, insistindo em Tévez, apesar dos percalços impostos pelo City.

Neste momento, Pato precisa superar os problemas físicos, retomando o futebol do menino que ousou levar a bola com o ombro em um Mundial de Clubes. Com suas arrancadas e o seu faro de gol, o atacante pode ser mais do que é atualmente.

Robinho não precisa retomar as pedaladas da época santista, mas, como meia, pode ser mais ousado, mais criativo. Atuando pelos lados ou como ponta no losango de Allegri, a característica ofensiva do já veterano atleta não pode ficar para trás. Se o tempo fez a memória esquecer a ousadia dentro do campo, basta olhar para a Vila Belmiro novamente para relembrar.

Pato e Robinho são bons jogadores, mas estão em um nível aquém daquele projetado no início de suas carreiras. Em um grande europeu, líder do Italiano, os brasileiros ainda tem tempo para retomar o futebol que deixaram pelo caminho.

 



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