Esquerdinha e a devoção ao Santo André

Torcedor-símbolo do Ramalhão, ele ainda acredita no título paulista contra o Santos

Olímpico, 15 de fevereiro de 1984. O Grêmio vence o Santo André por 3 a 2 até os 46 minutos do segundo tempo, quando o lateral Esquerdinha acerta um chute do meio do campo e empata o jogo para, em seguida, o juiz encerrar a partida e calar os pouco mais 30 mil tricolores presentes.

Passados 26 anos, Eduardo Braghirolli ainda lembra com carinho aquele momento, mesmo depois de viver tantos outros nas arquibancadas de Estádios do Brasil e da América do Sul em sua devoção ao Esporte Clube Santo André.

- Eu falava tanto daquele gol que me colocacaram o apelido de Esquerdinha. E pegou mesmo, hoje só me conhecem por esse nome - conta.

Mas a história de Esquerdinha com o Ramalhão é ainda mais longa. Desde os sete anos ele acompanha o time, convidado pelo primeiro presidente do clube e seu ex-vizinho, Wigand dos Santos. Na época, o Bruno José Daniel ainda nem existia, e o time treinava no Estádio Américo Guazelli, local onde Pelé marcou o seu primeiro gol como profissional em 1956.

Trabalhando como caminhoneiro, Esquerdinha perdeu vários empregos por deixar de entregar as cargas para assistir partidas do Ramalhão. Porém, no jogo mais importante da História do clube, a final da Copa do Brasil contra o Flamengo, no Maracanã, ele não estava. E chora ao contar o motivo.

- O meu chefe torcia para o São Caetano, e não deixou eu ir. É a maior mágoa da minha vida. Só no outro dia que eu fui no aeroporto beijar a taça. Fiquei tão mal, que dois meses depois pedi demissão da empresa - relembra

E se não viu aquela vitória por 2 a 0 sobre o Rubro-Negro, no Maracanã lotado, assistiu sozinho a derrota por 1 a 0 para o Cerro Porteño, na Libertadores de 2005, no Defensores del Chaco.

- Peguei o ônibus no Tietê, fiquei 27 horas na estrada e ainda só tive uma refeição em três dias lá. Para matar a fome, comia uma broas que vendia na porta do Estádio. Naquele dia, eu era o único torcedor do Santo André na arquibancada - diz com lágrimas nos olhos.

Pelo Ramalhão, Esquerdinha parou de beber em 2008 devido a promessa que fez para o time subir à Série A do Brasileiro, se vestiu de noiva na partida do acesso, quando sacramentou o seu 'casamento' com o clube e até fugiu de hospital, em 2007, quando caiu de cabeça de um caminhão e ficou internado.

- Saí na segunda do hospital, com 15 cm de placa de titânio na cabeça e 33 pontos na testa. No sábado eu estava no Brunão para a estreia do Marcelinho Carioca.

Com todos os ingressos do Paulistão na mão e mais de 100 camisas da equipe no armário, Esquerdinha será um dos torcedores que estarão no Pacaembu domingo, para jogo decisivo, contra o Santos. E confia no título por um sentimento que ele expressa em uma frase.

- Eu vivo mais o Santo André do que a minha própria vida.

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