Crítico em 2010, René Simões redefine 'monstruosidade' de Neymar

Após a goleada sobre Honduras, Micale exaltou o craque com a mesma palavra que, em 2010, foi usada para criticar o seu comportamento

GOAL Por Tauan Ambrosio 

O Brasil goleou Honduras por 6 a 0, com Neymar fazendo a sua melhor exibição na Olimpíada. Aos 14 segundos, o camisa 10 já havia aberto a contagem e, depois, converteu o pênalti que selou a vaga para a grande decisão.

Na entrevista coletiva, o técnico Rogério Micale falou sobre o grande astro da equipe e não poupou elogios . Na hora de definir Neymar, usou um adjetivo que, no passado, foi usado para criticar o jogador.

“Um monstro!”, disse Micale.

(Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Em 2010, René Simões, então técnico do Atlético-GO, usou a mesma palavra para criticar o comportamento de Neymar. O craque desobedeceu às ordens de Dorival Júnior, sem temer a reação das câmeras que o flagravam bradando.

Na ocasião, o santista sofreu um pênalti na vitória por 4 a 2. Mas o técnico Dorival Júnior mandou Marcel, e não Neymar, para a cobrança. A decisão irritou o então camisa 11 do Peixe, que bradou, xingou e teve que ser acalmado pelos companheiros.

Em 2010, Neymar desrespeitou Dorival Jr. e René Simões criticou o jogador: "Estamos criando um monstro" (Foto: Divulgação/Santos)

“Sempre trabalhei com jovens e nunca vi nada assim. Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro. Estamos criando um monstro no futebol brasileiro”, disse René, em 2010. Desde então, muita coisa já passou, e no último ano o próprio René Simões veio a público elogiar Neymar.


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Em entrevista exclusiva, o treinador voltou a relembrar o assunto e comparou o monstro de 2010 com o monstro de 2016: “São momentos completamente diferentes. Ele era um menino, despontando, e algumas coisas precisavam ser ajustadas. Foram muito bem ajustadas pela família dele, e ele se tornou esse craque”, disse para a Goal Brasil . “Deixou todos nós felizes por causa disso”.

“O que mudou foi exatamente o entendimento que um jogador fora de série precisa fazer, dentro e fora de campo. Foi o que mudou, e para o bem do futebol brasileiro”, comemorou, embora prefira não chamar mais Neymar de monstro. “Eu acho ele um craque, essa é a definição que eu tenho hoje. Cada um vai dar a sua definição. Eu acho ele um craque, e bom que é brasileiro”, finalizou.