Exclusivo: inspiração, pressão, Copa América e titularidade na pauta de Diego Alves

Em entrevista à Goal Brasil, goleiro do Valencia comenta expectativa para disputa do torneio nos Estados Unidos e aponta favoritos ao título

Lionel Messi, Neymar, Luis Suárez, Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Karim Benzema, Antoine Griezmann... Alguns dos melhores atacantes do mundo estão em La Liga e aterrorizam as defesas adversárias com a enorme qualidade que possuem e o caminhão de gols que marcam todos os anos. Todos eles, porém, têm um pesadelo em comum: Diego Alves.


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Desde os tempos de Almería, o goleiro do Valencia e da Seleção Brasileira causa muitas dores de cabeça aos craques do Campeonato Espanhol. Nesta temporada, por exemplo, Diego Alves foi um paredão e fez pelo menos cinco milagres impressionantes na surpreendente vitória de seu time sobre o campeão Barcelona em pleno Camp Nou. Se não fosse por ele, Los Che saíram derrotados da Catalunha. No entanto, o triunfo com grande exibição em solo catalão foi apenas uma das vezes em que o arqueiro de 30 anos foi espetacular e parou os melhores atacantes do planeta.

(Fotos: Getty Images)

Por seu grande desempenho também em anos anteriores, Diego Alves é constantemente pedido na Seleção Brasileira, e nesta temporada, após superar as lesões, ele foi convocado para disputar a Copa América Centenário, em junho, nos Estados Unidos. O curioso, porém, é que mesmo assim, ele não sabe se será titular, já que Alisson, ex-goleiro do Internacional, recém-contratado pela Roma, vinha sendo o dono da posição nos últimos jogos do escrete canarinho. A concorrência será dura, mas nada que tire o sono do arqueiro do Valencia, que comentou a situação em entrevista exclusiva à Goal Brasil.

"(Sobre ser titular ou reserva na Seleção) Eu não tenho que achar nada, né? (risos). Eu tenho que fazer o meu trabalho, como sempre fiz. Essa é uma pergunta (se será titular da Seleção ou não) que a maioria das pessoas fazem, mas o mais importante é ajudar o grupo de alguma maneira, seja jogando ou não", afirmou.

(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

"É claro que quase todos os jogadores querem jogar, mas às vezes você não tem a oportunidade de jogar e, nessas horas, tem que ajudar de outras maneiras. Sempre que eu vou para a Seleção, eu penso em aproveitar bastante o treinamento, mesmo sendo com o Taffarel ou sendo com o time todo, e aproveito cada minuto. Acho que isso é importante. Todos os jogadores precisam ir com esse pensamento de poder ajudar a Seleção Brasileira", completou.

"Quando eu machuquei, o meu primeiro objetivo era me recuperar bem, porque eu sei que a lesão que eu tive poderia voltar depois ou causar algumas lesões musculares mesmo após a recuperação. Então eu dei prioridade para voltar bem e 100%. A partir daí, quando o Valencia precisou da minha ajuda e estava vivendo um momento complicado na temporada, o meu objetivo era jogar bem e voltar a render no mesmo nível que terminei na temporada passada", contou.

(Foto: Getty Images)

"Claro que eu precisava de um tempo de adaptação, porque jogar é diferente de treinar. E a partir do momento em que eu me adaptei ao meu joelho de novo, eu consegui render no mesmo nível que rendia no ano passado. Acho que vivi uma temporada de superação. Ser convocado para a Seleção Brasileira é sinal de que você está bem. Eu já vinha sendo convocado pelo Dunga antes e ele depositou essa confiança em mim me chamando (para a Copa América Centenário) logo depois dos meus primeiros jogos (após se recuperar de lesão). Eu fico feliz por essa confiança e vou retribuir ajudando a Seleção Brasileira da melhor maneira possível", concluiu.

Inspiração

Na Seleção, curiosamente, o camisa 1 do Valencia tem uma inspiração e um mentor com uma semelhança na carreira. Um dos heróis do tetra, Taffarel é o atual treinador de goleiros do escrete canarinho, e além de ser um dos ídolos do arqueiro de Los Che, o gaúcho de Santa Rosa é um dos grandes nomes da história do Atlético-MG, clube do qual Diego Alves, revelado na equipe, foi um dos melhores goleiros nos últimos anos.

O arqueiro, agora, espera seguir os passos do ídolo também na Seleção Brasileira. "Tomara que eu faça história como o Taffarel fez. Eu sempre tive o Taffarel como um ídolo, uma referência. Sempre acompanhei tudo sobre ele na Copa de 1994. Logo depois também, quando ele jogava na Europa, quando ele voltou para o Atlético-MG... No momento em que eu pude conhecê-lo, eu vi a pessoa humilde e tranquila que ele é. Ele merece ter essa história dentro do futebol e esse respeito, porque ele é uma pessoa sensacional, um profissional que trabalha muito, está sempre alegre e ajuda as pessoas", comentou.

(Foto: Getty Images)

"Além do Taffarel, eu também tenho o Zetti como referência, porque na mesma época do Taffarel, ele estava brilhando e em evidência no São Paulo", completou, citando outro grande ídolo e espelho que tem.

Brasil favorito?

Diego Alves também falou sobre o que espera da disputa da Copa América Centenário. O futebol apresentado e os resultados da Seleção Brasileira são ruins, decepcionantes e não inspiram confiança, principalmente com Dunga no comando. No entanto, o goleiro acredita no potencial do escrete canarinho e na sua história, e rechaça qualquer pressão que exista pelos últimos jogos e também pelo 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014.

"O Brasil sempre vai ser considerado um dos favoritos, pela história no futebol, por tudo que já fez e pelo o que é. A pressão com a Seleção Brasileira não é de agora, é de muitos anos atrás. Os jogadores que passaram pela Seleção fizeram com que essa pressão sempre existisse. É uma Seleção pentacampeã do mundo e que sabe da dificuldade que é quando você vai jogar um Mundial", explicou.

"Toda essa história faz com que exista uma grande pressão, mas os jogadores atuais da Seleção estão preparados. Todos os jogadores jogam em times grandes na Europa ou no Brasil, então isso faz com que os jogadores se acostumem com a pressão e saibam lidar com ela", garantiu. 

(Foto: Getty Images)

"O Dunga sempre sabe o que é melhor para a Seleção Brasileira, mas sabemos que a Copa América é difícil. Além das seleções que jogaram a última competição, terão outras da Concacaf e todos os adversários são difíceis, então não podemos deixar essa pressão atrapalhar. Nós somos a Seleção Brasileira, que segue sendo respeitada, e precisamos valorizar isso", pregou.

"É difícil apontar um favorito. Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Uruguai... Acho que são os favoritos de sempre, não apenas um, e também tem os times da Concacaf, que podem ganhar: México e Estados Unidos, por exemplo. Não sabemos o que pode acontecer em uma Copa América e o futebol atual está muito nivelado. Não se vence apenas com a qualidade, mas também com outros fatores. Temos que dar tudo dentro de campo. Acho que os últimos jogos também foram importantes para isso, porque apesar dos resultados não aparecerem, tivemos alguns aprendizados", concluiu.

Resta ver se o Brasil vai provar as palavras do goleiro dentro de campo. A Seleção, que já tem parte do grupo convocado para a Copa América Centenário na concentração nos Estados Unidos, fará um amistoso contra o Panamá no domingo (29). O torneio continental começa em 3 de junho. O escrete canarinho está no grupo B, ao lado de Haiti, Equador e Peru.