Jonathan vence desconfiança, se firma na lateral-direita do Fluminense, mas avisa: "Temos muita coisa para melhorar"

Jogador chegou nas Laranjeiras em setembro de 2015 após erro médico da Internazionale (ITA), e cresce de rendimento com o técnico Levir Culpi

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Ele chegou ao Fluminense em setembro de 2015 como uma incógnita. Afastado dos gramados por quase oito meses devido a um erro médico na Internazionale (ITA), Jonathan enfim reencontrou o seu bom futebol após ser obrigado a se submeter a uma cirurgia para retirar um pedaço do menisco, por conta de um problema na cartilagem do joelho.

E após a estreia e uma sequência de jogos sob desconfiança da torcida, o lateral-direito vem ganhando cada vez mais espaço na equipe desde a chegada do técnico Levir Culpi. Assim, vivendo um bom momento com a camisa tricolor, ele provou que não há espaço para guardar mágoas de seu ex-clube.

"Com a Inter não sinto nenhuma mágoa. Sinto apenas com a forma como os médicos trataram a minha lesão. Eu só tenho que agradecer a Inter, as pessoas sempre me trataram muito bem lá", afirmou.

Em entrevista à Goal.com, Jonathan falou sobre os objetivos do Fluminense na Copa do Brasil e Brasileirão, como está o ambiente do grupo após o desentendimento entre Levir e Fred, e muito mais. Confira!


(Foto: Rodrigo Calvozzo / Goal Brasil)

Como foi a sua passagem pela Inter entre julho de 2011 até junho de 2015?

"Foi boa, tive momentos bons na Inter. A adaptação foi difícil, muito por culpa minha pois eu não me empenhava para aprender a língua, e isso foi fundamental para eu ter ido para o Parma (emprestado por seis meses), porque ali tinha muito mais jogadores italianos e isso me obrigava a conversar mais com eles. E na Inter tinha muito brasileiro e eu acabava ficando mais no meio deles. Isso me prejudicou um pouco.


(Foto: Getty Images)

O ano que mais joguei lá foi em 2013 e 2014. Tive uma sequência muito boa de jogos, onde fui cogitado até para a Seleção Italiana na época. Com o fim do Campeonato Italiano, conseguimos a classificação para a Europa League, e na volta das férias, em um jogo amistoso, sofri uma pancada no joelho.

Ainda consegui jogar por três meses, mas não consegui dar sequência. Os médicos da Inter falavam que eu nao tinha nada e eu confiei neles. E aí eu acabei me machucando mais, porque só fui operar em fevereiro. Acabou a competição e logo depois o meu contrato."

Gerson irá retornar para a Roma no segundo semestre. Deu alguma dica para ele?

"Converso muito pouco com o Gerson. Eu me dou bem com todos aqui no Fluminense, assim como ele. Mas ele tem uma maior afinidade com os jogadores mais jovens, enquanto eu tenho com os mais velhos.


(Foto: Bruno Haddad/Fluminense F.C/Divulgação)

Mas às vezes brincamos com alguma coisa em italiano, Ele falou que já começou a estudar para quando ele voltar... O italiano não é uma língua difícil, basta você se conscientizar que precisa aprender. Eu demorei mais porque eu não ligava, achava que ia aprender de qualquer jeito."

Como surgiu a ideia e o que pesou para retornar ao futebol brasileiro?

"As propostas que eu tive na época não me encheram os olhos. Além do mais, a minha esposa estava grávida, e a gente tinha como objetivo ter o nosso filho no Brasil, para que ele possa ser alfabetizado em português. A minha filha não foi e ela ainda tem um pouco de dificuldade por isso.

Penso também em um dia ter oportunidade na Seleção Brasileira. Achei que a minha volta poderia fazer me deixar mais próximo do treinador da seleção. Além do mais, muitos jogadores voltam para cá com 33, 34 anos. Podemos dizer que é final de carreira e não consegue render aquilo que rendiam antes. E eu não queria isso."


(Foto: Rodrigo Calvozzo / Goal Brasil)

A escolha pelo Fluminense

"A escolha foi por causa dos jogadores que aqui estão. Alguns que passaram e eu conhecia, também tive a oportunidade de conversar antes de acertar. O Fluminense foi o clube que me abriu as portas, que confiou no meu potencial mesmo depois de muito tempo parado. Sou mto grato a eles por isso. A proposta também foi satisfatória por eu ter parado muito tempo, e eu também tinha a vontade de jogar no Rio de Janeiro."

Como está o clima do grupo após o desentendimento entre Levir e Fred?

"Acho que o nosso grupo não tem problema nenhum de relacionamento. Tanto os jogadores que aqui estão, quanto os que saíram. Os que saíram, foram embora por vontade própria. Esse problema entre Levir e Fred acontece em todos os clubes de futebol, principalmente por serem duas figuras importantes. O Fred é ídolo do Flu, e Levir é um cara rodado, que já trabalhou em grandes clubes do futebol brasileiro.


(Foto: Nelson Perez / Fluminense FC / Divulgação)

Acho que essa reunião que teve entre o presidente e o diretor com os dois foi boa porque resolveu a situação. O Fred é muito importante para o nosso time, pois além de capitão, é líder. E o Levir já mostrou a sua competência. Em pouco tempo de trabalho, alcançou vitórias consecutivas e já conquistou um título, que é um feito muito importante para nós e para o clube, já que é um título inédito, o primeiro  da Liga. Essa situação que aconteceu com Fred e Levir não será a primeira e nem a última. Nem aqui no Fluminense e nem nos clubes brasileiros."

O que esperar do Flu na Copa do Brasil e Brasileirão?

"Acho que tem muita coisa para melhorar e não vai ser do dia para a noite. Não adianta cobrar agora porque é muito recente e o ano acabou de começar. O treinador chegou agora também, tem pouco tempo e ainda está implantando a sua filosofia de trabalho.

Além disso, alguns  jogadores saíram, outros estão chegando para fortalecer ainda mais o elenco. Mas acho que pode ser um ano proveitoso. Dizer onde o Fluminense pode chegar é difícil e cedo. Podemos dar uma resposta mais clara sobre isso no meio do ano."


(Foto: Nelson Perez / Fluminense FC / Divulgação)

O vínculo com o Tricolor se encerra no final do ano. Já conversou sobre renovação?

"Ainda não conversamos sobre a renovação de contrato. Tenho compromisso até o final do ano e acredito que o Fluminense, assim como qualquer outro clube, sabe da possibilidade de fazer um novo contrato no meio do ano. Mas estou tranquilo em relação a isso. Não venho pensando pois ainda não é o momento. É cedo.

Como disse, o ano está começando agora, tem muitos jogos para serem disputados, e graças à Deus estou tendo uma sequência boa após muito tempo de inatividade. Tive apenas uma dor muscular que me tirou da final da Primeira Liga, mas no jogo seguinte já estava em campo. Então, a renovação vai acontecer automaticamente, e se for da vontade do Flu, se for da minha vontade, acho que as partes, no momento certo, vão sentar e conversar sobre isso."

Como você analisa a pressão das torcidas no futebol brasileiro?

"Acho que o Fluminense por ter esses grandes jogadores e pelas grandes conquistas, terá sempre uma cobrança grande. Temos que saber e assimilar, pois time grande é assim.
Costumo dizer que quem não quer ter pressão, precisa fazer outro trabalho. Vai virar astronauta e viver no espaço. O futebol tem pressão, não tem jeito. Nós  somos muito bem remunerados para fazer o nosso trabalho, e nada mais justo que entrar em campo e fazer o melhor. Não podemos prometer ao torcedor e diretor que vamos vencer todos os jogos, mas temos que entrar com a camisa do Fluminense e deixar a nossa alma ali dentro."

 

Luto pelo BRASIL #Brasil #chegadecorrupção #basta

Uma foto publicada por Jonathan Cícero Moreira (@jonathan2_oficial) em

Você acompanha o momento político atravessado pelo Brasil? Chegou inclusive a fazer um post em redes sociais a respeito do tema.

"Estou acompanhando pelo que as pessoas comentam comigo, talvez em lances rápidos que vejo pela televisão. Acho que se acontecer o Impeachment, as coisas não vão melhorar de uma hora para outra, porque nós sabemos que o que aconteceu no Brasil com a corrupção, é uma coisa muito antiga e que deixou um rombo muito grande no pais.

Eu sou leigo no assunto, não entendo nada de política e economia, mas como já estive em outros países, eu vejo que o Brasil tem muita riqueza a ser explorada. Acredito que a crise será passageira, mas acho que o povo brasileiro pelo menos acordou e deixou de ser "bobo", porque um governo por muito tempo no poder não é legal. Acho que o PT ficou muito tempo, está na hora de mudança.


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A corrupção existe no Brasil, mas também em outros países, a diferença é que nos outros países vemos outras coisas, como estradas boas, hospitais, escolas públicas, que justificam você pagar tantos impostos. E aqui a gente paga um absurdo de impostos, com hospitais que faltam médicos, escolas com professores em greve... Espero que esse novo governo, caso ocorra mesmo o Impeachment, mude algumas coisas também. E se caso não aconteça, o povo já viu que não tem como continuar com esse governo, e na próxima eleição ocorra uma mudança."