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Liga Sagres

  • 11 de maio de 2013
  • • 16:30
  • • Estádio Do Dragão, Porto
  • Árbitro: Pedro Proença
  • • Público total: 50117
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Porto 2 x 1 Benfica: Com virada nos acréscimos, Porto passa o Benfica e depende apenas de si mesmo para ser tricampeão

Porto 2 x 1 Benfica: Com virada nos acréscimos, Porto passa o Benfica e depende apenas de si mesmo para ser tricampeão

Getty Images

Num jogo inacreditável, o brasileiro Kelvin, de 19 anos, virou a partida aos 46 da etapa final e tirou o título que parecia certo de acabar na Luz das mãos do Benfica

Parece roteiro de filme: o garoto entra no final da partida, mal pega na bola e, quando pega, já nos acréscimos, marca o gol do título. Bom, ainda não foi o do título, mas a comemoração foi tão grande quanto. A torcida do Porto já se aquietava no Dragão, desistindo do título, enquanto a do Benfica se conformava com esperar mais um jogo para garantir a taça - tudo bem, não seria a mesma coisa que comemorar na casa do rival, mas já estaria valendo - quando o brasileiro Kelvin, do time B do Porto, recebeu de outro brasileiro que havia entrado há pouco - Liedson - e bateu com a categoria e a frieza de um veterano, mandando a bola no cantinho de Artur para virar a partida - e o campeonato.

Quando a bola rolou, apenas dois pontos separavam o líder, Benfica, do vice, Porto. Uma vitória seria o suficiente para garantir o título aos lisboetas, mas um empate já seria o suficiente - já que, na última rodada, o Benfica terá, em casa, o Moreirense, ameaçado de rebaixamento, em casa. Vitória quase certa para um time que, até este sábado, ainda não havia sido derrotado. Na mente do torcedor benfiquista, do técnico Jorge Jesus e de muitos dos jogadores, ainda estava viva a lembrança do Porto celebrando seu bicampeonato na temporada 2011-12 dentro do Estádio da Luz. Tamanha é a rivalidade, que o dono da casa não teve nem espírito esportivo de deixar o adversário celebrar a conquista e simplesmente apagou as luzes do estádio uma vez que sua torcida havia ido embora, deixando jogadores e torcedores visitantes comemorando no escuro.

Mas o futebol não é o esporte mais apaixonante do mundo por qualquer coisa - e, como já dizia o poeta, quem acredita, sempre alcança. A torcida que lotou o Estádio do Dragão e fez uma festa digna de decisão, deixando o clima absolutamente eletrizante, certamente estava acreditando - e, mais importante, o menino Kelvin acreditou até o fim.

Durante a maior parte do jogo, o Porto esteve melhor em campo. Sabendo da necessidade e conseguir a vitória a qualquer custo, os Dragões partiram para cima, e demorou até que os encarnados conseguissem sair para o jogo. Aos 4 minutos, a primeira grande chance de gol foi do time da casa. James Rodríguez abriu na direita para o brasileiro Danilo, que ganhou a dividida e cruzou rasteiro. A bola passou na frente do gol e muito perto do colombiano Jackson Martínez. Um minuto depois, Martínez teve mais uma chance, recebendo lançamento longo de João Moutinho, mas o goleiro Artur Moraes saiu bem do gol e abafou.

A partir dos 10 minutos, o Benfica passou a equilibrar mais as ações, mas ainda era o Porto quem jogava mais na área do adversário. Ironicamente, então, foram os visitantes que abriram o placar. Aos 18 minutos, o brasileiro Lima pegou uma sobra de bola depois de uma pane geral da defesa portista e só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. O pequeno pedaço do estádio tomado de vermelho vibrou. Poderia ser o gol da vingança!

Mas o saborzinho de vitória não durou muito. Aos 26, Varela chutou e a bola desviou em Maxi Pereira, enganando o goleiro Moraes, que acabou empurrando a bola contra o próprio patrimônio. Mas tudo bem, o empate ainda estava de bom tamanho, e o Benfica teria todo o segundo tempo pela frente para acertar um contra-ataque matador.

Jorge Jesus deixa o campo desolado após virada do Porto nos acréscimos


Assim como na primeira etapa, o Porto começou melhor o segundo tempo, pressionando o Benfica. Varela passou a se movimentar muito mais, caindo ora pela direita, ora pela esquerda, e dando trabalho para a marcação. Mas a maior posse de bola não se converteu em uma pressão de fato, e as finalizações que foram no gol acabaram sendo muito fracas e de fácil domínio para Moraes. A única boa chance foi criada por Varela, que tentou chutar com efeito e encobrir Artur, mas a bola acabou saindo.

Quem ameaçou mesmo foram as Águias, que chegaram com perigo aos 17, aos 22 e aos 30. A última, numa grande cobrança de falta de Oscar Cardozo, que havia ficado no banco de reservas a maior parte do jogo, sendo poupado por Jorge Jesus para a decisão da Liga Europa na próxima quarta-feira, contra o Chelsea. Depois disso, o time visitante pareceu se acomodar com o resultado e perdeu a empolgação por dar o troco, se contentando em segurar os avanços portistas - o que fazia com bastante eficiência.

A situação do Porto não parecia nada favorável, especialmente depois que Fernando se machucou seriamente e saiu de maca do campo para a entrada de Defour. Aos 39, James Rodríguez teve uma chance incrível para virar a partida, mas bateu esquisito na bola e ela acabou pegando no pé trave e saindo. Parecia que não era para ser mesmo.

Foi aí que brilhou a estrela do brasileirinho Kelvin. Substituindo um desolado Lucho González, que observava do banco de reservas com cara de choro, o brasileiro recebeu de Liedson, dominou com jeito, cercado pela defesa e bateu como dava, com força. Artur ainda caiu, mas a bola passou por ele e estufou a rede no canto oposto. Na mesma hora, os jogadores do Benfica se jogaram no chão, incrédulos, e o técnico Jorge Jesus caiu de joelhos, numa imagem impressionante. Sem se importar com a dor dos rivais, a torcida do Porto explodiu em comemoração. A nota negativa fica por conta da invasão de campo por alguns torcedores, rapidamente contidos pela segurança.

O clima mudou completamente. O técnico Vitor Pereira chorava na linha lateral, sem acreditar na virada, enquanto Lucho González, agora de pé, não sabia se acompanhava os minutos finais ou comemorava com a torcida. Os benfiquistas eram a imagem da desolação.

Quando Pedro Proença apitou o fim do jogo, os jogadores correram para se abraçar como se o campeonato acabasse ali. Os do Benfica ainda se dirigiram à torcida presente e agradeceram pelo apoio antes de se retirarem, cabisbaixos, para o vestiário.

A temporada que poderia ser quase perfeita, imitando a de 2010-11 do Porto, de repente pode virar um pesadelo para o Benfica. O time agora tem um ponto a menos que os Dragões, que vão enfrentar o terceiro colocado, Paços de Ferreira, já garantido na Liga dos Campeões no próximo fim de semana, dependendo apenas do seu próprio resultado para assegurar o tricampeonato português. Já o Benfica tentará reerguer os ânimos para pegar o Chelsea na quarta.

Um gol aos 46 minutos mudou completamente a história de uma temporada. Um dia histórico para os dragões, e para ser totalmente esquecido pelas águias. Que jogo, amigos! Que jogo!

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