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Sul-Americano Sub20

  • 16 de janeiro de 2013
  • • 21:00
  • • Estadio San Juan del Bicentenario, San Juan, Provincia de San Juan
  • Árbitro: R. Orozco
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Brasil 1 x 0 Venezuela: Penalidade cai do céu e Brasil vence pela primeira vez

Brasil 1 x 0 Venezuela: Penalidade cai do céu e Brasil vence pela primeira vez

Getty Images

Repetindo as atuações ruins das duas partidas anteriores, seleção cria muito pouco mas conta com gol solitário de Felipe Anderson para vencer. Rafinha estreou bem no time titular.

Pouca gente que acompanhou a seleção sub-20 nos últimos dias achou que as mudanças promovidas por Emerson Ávila antes da partida decisiva de hoje mudasse em grande medida o futebol desempenhado pelos brasileiros. A esperada entrada de Rafinha no time titular até rendeu bons frutos, mas o fraco desempenho tático da equipe fez com que as substituições pouco mudassem de fato. A vitória contra uma melhor postada Venezuela alivia a pressão da eliminação, mas não livra o time de cobranças futuras. E mais: preocupa e muito para a disputa eventual do hexagonal final. Com o resultado, a seleção ocupa agora a 3ª posição - entre os classificados para a próxima fase. Os brasileiros dependem apenas de uma vitória simples sobre o Peru na próxima sexta-feira para avançar ao hexagonal final.

Brasil sai em vantagem após primeiro tempo fraco de ambas as partes

A partida começou estudada de ambas as partes. A posição da Venezuela, o terceiro lugar no início do jogo, estava classificando a equipe para a próxima fase e uma derrota poderia (aliada a uma vitória do Equador) levar o time à lanterna do grupo B. Pela parte verde e amarela, talvez os gols sofridos contra Uruguai e Equador - alguns com contribuição da defesa brasileira - tenham deixado a equipe de Emerson Ávila mais cautelosa, além da pressão sobre os jogadores pela classificação.

Logo aos 2 minutos, Ademilson cruzou da direita e viu o goleiro Contreras sair mal, permitindo um desvio de Bruno Mendes que acabou não indo na direção do gol. O lance seria uma prévia da jogada mais tentada pelo Brasil no primeiro tempo: o levantamento na área. E foi assim que o mesmo Bruno Mendes por pouco não marcou logo depois. Com 6 minutos, Igor Julião cruzou entre os zagueiros e o botafoguense mergulhou para mandar de cabeça no pé da trave esquerda de Contreras.

A resposta da Venezuela e sua primeira boa chance também apareceu através da jogada mais repetida durante a primeira etapa: avanço pela esquerda - nesse caso de Martínez - e cruzamento para Castillo. Luiz Gustavo saiu mal no lance e contando com encontrão com Dória passou pela bola, que ficou à feição para o atacante adversário. Sorte do Brasil que ele não esperava a chegada do cruzamento e acabou desviano meio sem querer direto pra fora.

Os lances perigosos no início podem ter iludido os poucos torcedores presentes no estádio Bicentenario, pois o que se viu ao longo da maior parte do primeiro tempo foi duas equipes que abusavam nos cruzamentos. Os venezuelanos ainda buscaram mais a troca de passes, sempre insistindo pelo lado direito e acionando o capitão Martínez, Zambrano e Romo, tendo Castillo no lado oposto aparecendo como válvula de escape. A seleção brasileira por sua vez tinha pouco poder de penetração e esbarrava no forte esquema de defesa armado pelo adversário quando estava sem a bola. Quem mais tentava viradas de jogo e tabelas era o jogador do Barcelona Rafinha, atuando pela meia-esquerda.

Aos 44 minutos, os comandados de Emerson Ávila acabaram sendo premiados. Ainda que mais desorganizados e parecendo estar longe de abrir o placar, o Brasil marcou o primeiro gol do jogo em cobrança de pênalti de Felipe Anderson no meio do gol. A penalidade foi sofrida por Lucas Cândido, que foi puxado dentro da área em bola alçada. Melhor para o camisa 10 brasileiro, que conseguiu marcar e aliviar um pouco do peso em cima do elenco na partida.

Seleção segue jogando mal, vê rivais pressionarem mas consegue segurar o resultado

No retorno ao gramado, o time canarinho sofreu uma alteração: saída de Ademilson e entrada de Marcos Júnior. A substituição parecia corrigir um erro cometido na escalação, quando Bruno Mendes foi lançado mais centralizado enquanto o atacante são-paulino acabou caindo mais pela ponta, fugindo de sua característica - não é necessário dizer que como foi o primeiro tempo do atacante substituído.

Logo aos 5, a Venezuela demonstrava que vinha para conseguir o empate e arrancar possivelmente uma virada pra cima da seleção brasileira. Martínez - sempre ele - invadiu a área pela direita, fintou o zagueiro Luan e bateu perigosamente por cima da meta. Enquanto isso, a ideia de explorar os contra-ataques certamente povoou a conversa no vestiário brasileiro, mas Felipe Anderson, um minuto depois da chance dos adversários, desperdiçou boa oportunidade ao prender demais a bola. O meio campo santista não jogava bem e o ataque brasileiro perdia em velocidade.

Aos 10 e 13 minutos, mais duas chegadas perigosas da Venezuela, ambas pelo lado direito. Primeiro Romo recebeu já dentro da área mas Mansur conseguiu desarmá-lo antes da finalização, e depois Martínez fez o cruzamento e Castillo conseguiu desviar dentro da pequena área, direto pra fora. Logo depois, o técnico Marcos Mathías sacaria o veloz mas ineficiente Castillo para lançar Hernandéz, um meia atacante que substituiu Martínez no meio campo - o capitão passou a atuar mais à frente.

Rafinha Alcântara, o jogador mais lúcido pelo lado brasileiro, conseguiu assustar a defesa adversária em jogada individual aos 15. Ele passou entre dois marcadores pela direita e finalizou por baixo, para a defesa de Contreras - Bruno Mendes pedia mais atrás porém estava bem marcado. Foi o primeiro lance perigoso do Brasil na segunda etapa, e seria um dos raros até o fim da partida. Do lado oposto, a Venezuela seguia conseguindo escanteios e buscando as jogadas de linha de fundo.

Aos 25 minutos, Emerson Ávila finalmente sacou um inoperante Felipe Anderson para lançar Fred, que já havia entrado bem contra o Equador e ganho a vaga de titular na última partida contra o Uruguai, mas acabou retornando ao banco de reservas. Cinco minutos depois, o jogador colorado participou da chance mais clara para o Brasil na segunda etapa, talvez durante todo o jogo. Ligação de Rafinha para Marcos Júnior, que avançou com a bola pela esquerda e esperou a ultrapassagem do recém-entrado meia. Fred recebeu e devolveu para Marcos Júnior em ótima posição, mas o chute acabou bloqueado por Ángel.

A Venezuela estava melhor postada, mas também não conseguia criar oportunidades claras de gol, facilitando o trabalho da defesa em alguns lances. Apesar disso, o Brasil não conseguia tomar o controle da partida tampouco aproveitar os espaços dados pelos avanços adversários. A seleção poderia ter definido a vitória aos 40 minutos, quando Dória pegou rebote de Contreras e mandou para as redes após chute de Fred, mas o assistente anulou o gol assinalando impedimento, marcado erradamente.

Antes disso, o goleiro Luiz Gustavo já havia sido advertido com cartão amarelo por fazer cera ao cobrar tiro de meta e, após o gol mal anulado, Rafinha quis atravessar o gramado para ser substituído, mesmo estando ao lado da linha lateral oposta, e também acabou punido. A postura dos jogadores brasileiros, mesmo conseguindo a vitória, está longe do ideal dentro de campo. A equipe mostrou mais uma vez uma irregularidade muito grande durante os 90 minutos e grande fragilidade no esquema tático, que nem priorizou o ataque nem conseguiu aplacar as investidas venezuelanas, que falharam mais por erro dos próprios adversários dos brasileiros. 
 


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